Pesquisador do IPEF publica artigos sobre solos florestais
07/03/2012

O pesquisador do IPEF e da Forest Productivity Cooperative, Clayton Alcarde Alvares, e o professor da Esalq/USP, José Leonardo de Moraes Gonçalves, juntamente com Sidney Rosa Vieira (IAC/Centro de Solos e Recursos Ambientais), Cláudio Roberto da Silva e Walmir Franciscatte (Fibria Celulose S/A), publicaram o artigo intitulado “Spatial variability of physical and chemical attributes of some forest soils in southeastern of Brazil” na revista científica Scientia Agricola. O estudo tem como objetivo caracterizar a variabilidade espacial dos atributos físicos e químicos dos solos encontrados na área da empresa associada Fibria S/A, em Capão Bonito (SP), os quais têm sido utilizados para fins florestais por quase um século. O estudo completa o quarto estágio na escala de mapeamento dos solos da região. Em 1960 foi publicado o “Levantamento de Reconhecimento dos solos do Estado de São Paulo”; em 1999 foi compilado o “Mapa Pedológico do Estado de São Paulo”; e em 2001 foi finalizado o “Levantamento Pedológico Semidetalhado” da região. Essa evolução consiste em buscar maiores níveis de detalhes dos solos e da sua distribuição, permitindo identificar e quantificar as unidades de manejo florestal.

O ideal seria que toda unidade de produção florestal tivesse no mínimo um levantamento pedológico com informações necessárias para avaliar o seu potencial e as suas limitações de uso e manejo florestal. Contudo, o método tradicionalmente empregado na representação cartográfica dos solos é caracterizado pela delimitação abrupta das suas unidades de mapeamento. Porém, nos últimos anos pesquisadores têm assumido a natural variabilidade espacial dos atributos do solo, verificando assim outras formas de estudá-los e representá-los, proporcionando melhor qualidade final nos mapas elaborados. Nas empresas agrícolas e florestais as análises geoestatísticas deveriam ser adotadas como rotina para possibilitar maior exatidão nas recomendações de fertilização e nutrição, visando o manejo localizado do solo.

Segundo Clayton “os resultados obtidos no estudo vêm suprir uma elevada demanda por informações asseguradamente mapeadas dos atributos edafopedológicos, confirmando a existência de distintas zonas de manejo, as quais merecem atenção especial. Além disso, os mapas obtidos poderão ser empregados em modelos ecofisiológicos, na classificação da qualidade dos sítios florestais, e na estimativa e zoneamento do risco de erosão”. O artigo na íntegra pode ser encontrado no site: www.scielo.br/pdf/sa/v68n6/v68n6a15.pdf

Estudo sobre a erosão do solo no Brasil

Tendo em conta a escassez de dados que apresentasse o potencial de erosão do solo por meio de um modelo amplamente utilizado (Universal Soil Loss Equation), Clayton também colaborou na publicação do capítulo “Natural Potential for Erosion for Brazilian Territory” do livro “Soil Erosion Studies”, juntamente com Alexandre Marco da Silva e Claudia Watanabe (UNESP), publicado em novembro do ano passado que teve o objetivo de elaborar e atualizar o mapa de risco do Potencial Natural de Erosão (PNE) dos solos do Brasil. É relatada no capítulo a compilação e a análise de uma ampla base de dados para avaliar o PNE para todo o território brasileiro em grande escala. No estudo foram usadas informações de dados históricos de precipitação de 1600 estações meteorológicas de diversas fontes; mais de 5500 perfis pedológicos provenientes do projeto RADAMBRASIL; e o modelo digital de elevação do terreno na resolução de 100 m. O estudo mostrou que os solos da região centro-oeste, nordeste e norte do Brasil apresentam elevada suscetibilidade à erosão. Por outro lado, o potencial de erosão das chuvas é maior na região norte e centro-oeste. O efeito do relevo é maior nas regiões sudeste e sul. Na ampla faixa de aproximadamente 300 km da linha costeira é que os problemas de erosão no território brasileiro são maiores. Nos últimos anos grandes catástrofes têm sido registradas nestas regiões, como no Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo.

A agricultura do Brasil tem adotado nas últimas décadas o uso de plantio direto. De forma semelhante, o setor florestal brasileiro tem empregado a técnica do cultivo mínimo como práticas conservacionistas e o adequado planejamento do uso da terra, ações que minimizam os efeitos da perda de solo.

No Brasil, os levantamentos pedológicos são ainda necessários, principalmente nas escalas maiores (maior que 1:100.000). Dados mais precisos de solos resultarão em melhores estimativas das áreas de risco de erosão, bem como efetivos planejamentos de uso da terra tanto na escala da propriedade quanto na escala regional. O capítulo do livro pode ser encontrado no site www.intechopen.com/articles/show/title/natural-potential-for-erosion-for-brazilian-territory


Capa do livro Soil Erosion Studies

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