Eucflux avalia plantios e visualiza diferentes comportamentos
01/03/2013

Em plena atividade desde 2008, o Eucflux é um programa cooperativo do IPEF que quantifica as trocas de carbono e água entre uma floresta plantada de eucalipto e a atmosfera utilizando a técnica de torres de fluxo (Eddy Covariance). O programa, que envolve nove empresas florestais brasileiras (ArcelorMittal BioFlorestas, Cenibra, Copener, Duratex, Fibria, International Paper, Klabin, Suzano e V&M), conta com o apoio científico da USP, CIRAD (França) e NCSU (EUA).

As trocas de carbono, água e energia, são medidas pelos equipamentos instalados na torre de 26m de altura, avaliando a interação entre floresta e atmosfera, de uma área comercial com plantio clonal de 200 hectares. Na reforma do plantio em novembro de 2009, foram plantados 16 genótipos de eucalipto (14 clonais e 2 seminais) de amplo uso no país. “Instalamos este teste para que os resultados do estudo da torre possam ser extrapolados para diferentes materiais genéticos”, relata o prof. José Luiz Stape (NCSU), um dos coordenadores do projeto.

Os materiais foram implantados em dez repetições distribuídas ao longo da área experimental do projeto, que possui um forte gradiente de produtividade. Durante janeiro de 2013, aos três anos da rede experimental, alunos da ESALQ/USP e da FCA/Unesp, supervisionados pelo pesquisador Otávio Campoe (IPEF) e pelo mestrando Raoni Nogueira (Unesp), realizaram o inventário em todos os materiais e repetições, totalizando cerca de 16.000 árvores mensuradas, uma vez que a sobrivência geral foi acima de 96%. Face às distinções genéticas e edafo-fisiográficas, a produtividade tem variado entre 30 e 60 m³ por hectare ao ano.

Devido ao gradiente de produtividade existente na área e o estratégico posicionamento dos blocos experimentais, já é possível identificar materiais genéticos com diferentes comportamentos. Enquanto alguns materiais são estáveis ao longo do gradiente e apresentam variabilidade na produtividade de menos de 10%, alguns materiais mostram variação de quase 70%, dependendo do local em que se encontram na paisagem e da disponibilidade de recursos.

Como parte de seu mestrado, Raoni vem estudando a dinâmica do dossel destes materiais e sua caracterização anatômico-morfológica. “Todos os materiais genéticos já apresentam completo fechamento do dossel, absorvendo de 80% a 95% da radiação solar incidente na área”, informa. O pesquisador Yann Nouvellon (CIRAD) destaca que “a medição do balanço de carbono na torre e no teste de genótipos, de forma concomitante, é algo inédito em termos de estudos de extrapolação de resultados entre materiais genéticos de eucalipto e em 2013 já esperamos publicar os primeiros resultados”.


Alunos realizando inventário na área do Eucflux

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