Estudo da dinâmica do índice de área foliar do Eucflux é publicado em revista internacional
13/07/2011

A aplicação do sensoriamento remoto na caracterização do dossel e da produtividade do eucalipto é um dos subprojetos do Programa Torre de Fluxo (Eucflux). O índice de área foliar (IAF), que expressa a razão entre a superfície das folhas da copa por unidade de solo, varia ao longo do tempo e da paisagem, e sua quantificação por sensoriamento remoto foi o motivador da pesquisa “Leaf area index estimation with MODIS re?ectance time series and model inversion during full rotations of Eucalyptus plantations”, sob autoria do pesquisador Guerric Le Maire (Cirad) e demais pesquisadores colaboradores do Eucflux. Os resultados foram publicados no periódico internacional Remote Sensing of Environment (vol 115: 586-599).

O objetivo do estudo foi desenvolver e aplicar uma metodologia para monitorar o índice de área foliar de uma rotação completa de povoamentos de eucaliptos em Brotas e Itatinga (SP). Foram avaliados, em Brotas, 16 talhões da International Paper com clones híbridos de E. grandis x urophylla e, em Itatinga, dois talhões da Duratex com E. grandis. Assim, usando uma coleção de sete anos de dados do sensor MODIS, com resolução espacial de 250m, resolução temporal de 16 dias e alguns índices de vegetação, a dinâmica da área foliar foi estimada e comparada com a área foliar medida em campo.

Os métodos avaliados apresentaram boa capacidade em capturar a variabilidade sazonal e interanual do índice de área foliar, apresentando correlação superior a 0,62 entre os valores medidos e estimados. Desta forma, os autores concluíram que o índice de área foliar, ao nível do talhão, pode ser obtido durante qualquer período da rotação com elevada precisão. Ainda assim, os autores recomendam que novos estudos devem ser conduzidos na melhoria da metodologia utilizada.

Segundo os pesquisadores Guerric e Yann Nouvellon (Cirad) “o uso das técnicas de sensoriamento remoto são imprescindíveis para a determinação do IAF e posteriormente se estimar os fluxos de carbono e água na escala do talhão e da paisagem”. Para Rodrigo Hakamada, da International Paper, “cada vez mais estamos incorporando o uso do IAF nas tomadas de decisão da empresa, não só em termos de crescimento, mas também de proteção florestal”.

O professor José Luiz Stape (NCSU/IPEF) conclui afirmando que os conhecimentos advindos dos estudos de IAF dos programas BEPP (Programa de Produtividade Potencial do Eucalyptus no Brasil) e Eucflux estarão subsidiando os estudos que se iniciarão em 2012/2013 junto ao programa cooperativo TECHS (Programa Tolerância de Eucalyptus Clonais aos Estresses Hídrico e Térmico), em formação, com o objetivo de criar ferramentas de interpretação e decisão para as empresas florestais melhor monitorarem suas florestas.

Sobre o Eucflux

Visando aplicar a nova técnica da torre de fluxo (Eddy Flux Tower Covariance Method) que permite obter informações que são essenciais para aprimorar a floresta e o manejo do meio ambiente, o programa também tem a finalidade de conhecer em detalhes os fluxos de carbono, água e energia ao longo de uma rotação completa de Eucalyptus. Atualmente participam 11 empresas florestais apoiadas por universidades e institutos de pesquisa do Brasil, da França e dos Estados Unidos. Mais informações sobre o Eucflux em http://www.ipef.br/eucflux/


Guerric Le Maire na Torre em junho/2011

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