Programa Cooperativo sobre Enraizamento e Clonagem de Eucalyptus

Na década de 1990, foram desenvolvidas as técnicas de mini e microestaquia (Assis et al., 1992, 1997), possibilitando a clonagem comercial de genótipos de difícil enraizamento. Por meio do rejuvenescimento proporcionado pela micropropagação, o hormônio de enraizamento passou a não ser mais necessário ou apenas aplicado em pequenas concentrações, quando comparado ao processo convencional de estaquia.

A principal limitação da microestaquia é a necessidade de um laboratório de cultura de tecidos para o rejuvenescimento do material vegetativo, nem sempre existente na maioria das empresas florestais, o que implica maior custo de produção de mudas (Assis, 1997). Assim, dadas às vantagens de operação e ao menor custo, a miniestaquia tem sido hoje adotada praticamente por todas as empresas florestais. A microestaquia tem sido utilizada apenas para o rejuvenescimento de clones recalcitrantes ao enraizamento, obtendo-semicroplantas que são conduzidas para a obtenção de miniestacas em casa de vegetação, as quais apresentam maior potencial de enraizamento.

Diante da evidente dificuldade de enraizamento de estacas propagadas de eucaliptos subtropicais, associado aos problemas advindos da formação deficiente ou mesmo de raízes aparentemente normais, mas que podem ser a principal causa pelo tombamento das plantas no campo, este projeto pretende avaliar morfofisiológica e anatomicamente o comportamento de clones cultivados in vivo (miniestaquia) e in vitro (microestaquia). Dessa forma, foram formuladas as seguintes hipóteses que nos permitem nortear os principais objetivos deste projeto.

Partindo-se do protocolo estabelecido para a espécie E. benthamii, é possível a produção de mini e microplantas, visando a produção em larga escala de clones de eucaliptos subtropicais e seus híbridos com difícil enraizamento?
O processo de enraizamento estabelecido para as mini e microestacas de E. benthamii, onde se evita a formação de calos e se obtêm o desenvolvimento das raízes diretamente do câmbio vascular, pode ser efetivado para diferentes espécies e híbridos de eucaliptos?
O tombamento de mudas no campo está relacionado à origem e indução do sistema radicular nas estacas?

Cabe salientar que, diversos são os fatores que influenciam a propagação de plantas por estaquia no crescimento e na diferenciação das raízes, tais como: espécie, presença de indutores e inibidores de enraizamento, juvenilidade dos brotos, presença de gemas e/ou folhas, período de coleta das estacas e período de dormência (Hartamann et al., 1997), estado nutricional (Bellamine et al., 1998; Josten e Kutschera, 1999; Schwambach et al., 2005), sanidade e variações nas condições climáticas (Corrêa, 2004), além das condições ambientais e o substrato.

Planta em adaptação para introdução em laboratório
Planta em fase de adaptação e preparação para introdução em laboratório.

Objetivos

Objetivo Geral
Desenvolver protocolos para a produção clonal em larga escala de genótipos selecionados de eucaliptossubtropicais e seus híbridos por meio das técnicas de miniestaquia e microestaquia, com especial atenção para a indução e formação de um sistema radicular morfofisiologicamente funcional.

Objetivos específicos
• Avaliação do comportamento morfogenético de mini e microestacas de clones de eucaliptos subtropicais e seus híbridos em resposta ao protocolo de mini e micropropagação de E. benthamii;
• Avaliar morfofisiológica e anatomicamente se o processo rizogênicoverificado para os clones de E. benthamii, com a indução de sistema radicular funcional,serão da mesma forma obtidos nos clones das demais espécies de interesse;
• Avaliar a taxa de sobrevivência e a produção de brotações de minicepas em relação a diferentes épocas do ano;
• Avaliar a capacidade de resposta morfogênica e o enraizamento de mini e microestacas em diferentes épocas do ano, ao tamanho dos propágulos vegetativos, reguladores de crescimento e substratos;
• Avaliar se existe relação entre a formação de raízes e o tombamento das plantas no campo;
• Avaliar anatomicamente os estádios morfogênicos adequados das mini e microestacas para a indução do enraizamento diretamente no substrato evitando danos ao sistema radicular;
• Avaliar a multiplicação e alongamento de gemas in vitro em função das concentrações de BAP e ANA, clone e meio de cultura.




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