Scientia Forestalis, volume 46, n. 117
p.17-30, março de 2018
DOI: dx.doi.org/10.18671/scifor.v46n117.02

Site preparation, initial growth and soil erosion in Eucalyptus grandis plantations on steep terrain

Preparo do solo, crescimento inicial e erosão do solo em plantios de Eucalyptus grandis em região montanhosa

Marcos Cesar Passos Wichert1
Clayton Alcarde Alvares2
José Carlos Arthur Junior2
José Luiz Stape3

1Engenheiro Florestal da Fibria Celulose S/A. Rod. General Euryale Jesus Zerbini, s/n – São Silvestre – 12340-010 – Jacareí, SP, Brasil. E-mail:mcpw@yahoo.com.
2Pesquisador Doutor. IPEF - Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais. Via Comendador Pedro Morganti, 3500 – Bairro Monte Alegre – 13.415-000 – Piracicaba, SP, Brasil. E-mail: caalvares@yahoo.com.br, josecarlosarthurjunior@gmail.com.
3Professor Permanente dos Programas de Pós-Graduação em Recursos Florestais. USP – Universidade de São Paulo / ESALQ - Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” e UNESP -  Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. Av. Pádua Dias, 11 – Caixa Postal 09 – 13.418-900 – Piracicaba, SP, Brasil. E-mail: jolstape@yahoo.com.br.

Recebido em 25/11/2016 - Aceito em 27/07/2017

Resumo

No Brasil, e especialmente na região do Vale do Paraíba, estado de São Paulo, a silvicultura com o cultivo do eucalipto está se expandindo para as áreas declivosas, ocupadas com pastagens degradadas, devido ao limitado valor agropecuário destas topografias e sua maior aptidão florestal. O presente trabalho teve como objetivo avaliar o efeito de diferentes métodos de preparo de solo sobre as perdas de solo e água, por erosão, e sobre o desenvolvimento inicial de plantio clonal, de Eucalyptus grandis, em áreas declivosas. O ensaio foi instalado num delineamento fatorial 3x2, com três intensidades de preparo (coveamento manual, coveamento mecânico e subsolagem a favor do declive) e dois sistemas de manejo de resíduos de colheita (com e sem resíduos), com 4 repetições, num Argissolo Vermelho-Amarelo Distrófico (textura média/argilosa), com declividade média de 20.3%. A perda de solo e o crescimento da floresta foram avaliados durante 1 ano, entre março de 2004 e fevereiro de 2005. Em dois tratamentos, o com coveamento manual e manutenção dos resíduos (MAC) e na subsolagem sem resíduos (SUS), a erosão foi medida diretamente através do método da parcela padrão, instaladas em todas as repetições, e com dimensões de 14 x 24 metros. Uma parcela padrão adicional, sem preparo, sem plantas e sem resíduos, foi também instalada como uma parcela controle. As erosões mensuradas foram agrupadas e analisadas em três períodos (0 a 2, 3 a 7, e 8 a 12 meses). Para os demais tratamentos, a erosão foi estimada por modelos (por período e global) gerados por regressões lineares múltiplas entre a erosão observada nas parcelas padrão dos tratamentos MAC e SUS, e variáveis independentes oriundas dos atributos locais de cada parcela e a partir do método de pinos. O crescimento inicial do eucalipto foi determinado estimando-se a cobertura do solo e a biomassa da parte aérea aos 3, 6, 9 e 12 meses. Para as parcelas padrão, houve maior erosão no tratamento SUS do que no MAC, com valores médios de 12,96 e 2,4 Mg ha-1 ano-1, respectivamente. Para ambos os tratamentos, a erosão diminuiu com o crescimento da floresta. Quanto ao resíduo, a sua manutenção na área reduziu ligeiramente o crescimento de E. grandis. Ponderando-se os ganhos de crescimento inicial e as perdas erosivas esperadas, a manutenção dos resíduos no local e o coveamento mecânico podem ser identificadas como a melhor opção de preparo do solo para essas áreas declivosas.
Palavras-chave: conservação do solo, preparo do solo, Eucalyptus, silvicultura, erosão.

Abstract

In Brazil, and especially in the Paraíba Valley region, Southeastern Brazil, Eucalyptus plantations are expanding to high declivity areas formerly occupied by degraded pastures, due to the limited agricultural value of these topographies and their forestry aptitude. The objective of this study was to evaluate the effect of different methods of soil preparation and water loss by erosion, and on the initial development of clonal plantations of Eucalyptus grandis in areas of high slope. The experiment was installed in a 3 x 2 factorial design, with three intensities of soil preparation (manual pitting, mechanical pitting and downhill subsoiling) and two systems of residue management (with and without harvest residues), with 4 blocks, in a fine, kaolinitic, thermic type Kanhapludults soil, with an average inclination of 20.3%. Soil loss and growth of the forest were measured during one year, between March 2004 and February 2005. In two treatments, namely manual pitting and maintenance of the residues (MAY) and subsoiling without residues (SUN); erosion was measured directly through the method of the standard-plots, installed in all the replications, with a dimension of 14 x 24 meters. An additional standard plot without soil preparation, residues and cultivation was also installed as a control plot. Erosion measured was grouped and analyzed for three periods (0 to 2, 3 to 7, and 8 to 12 months). In the other treatments, erosion was estimated using models (per period and joint) from multiple linear regression between the erosion observed in the treatments MAY and SUN and independent variables originated from local attributes of each plot and from the pins method. The initial growth of Eucalyptus was determined by estimating soil cover and aboveground biomass at 3, 6, 9 and 12 months. In the standard-plots, there was more erosion in the treatment SUN than in MAY, with mean values of 12.96 and 2.40 Mg ha-1 year-1, respectively. For both treatments erosion decreased with the growth of the forest. As for the residue, its maintenance in the area slightly reduced the growth of E. grandis. Pondering the gains of initial growth and the expected erosion losses; maintenance of the residues on site and mechanical pitting can be identified as the best soil preparation option for such areas.
Keywords: soil conservation; soil preparation; Eucalyptus; silviculture; erosion.





Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais
Via Comendador Pedro Morganti, 3500 - Bairro Monte Alegre
CEP: 13415-000 - Piracicaba, SP - Brasil
Reprodução permitida desde que citada a fonte.