Scientia Forestalis, volume 42, n. 104
p.491-501, dezembro de 2014

Análise dos impactos das mudanças climáticas sobre o risco de incêndios florestais no estado do Paraná

Analysis of climate change on Paraná state forest fire risk

Antonio Carlos Batista1
Alexandre França Tetto1
Flavio Deppe2
Leszek Grodzki3
Jean Thiago Grassi4

1Engenheiro Florestal. Professor Doutor do Departamento de Ciências Florestais.  UFPR – Universidade Federal do Paraná. Rua Lothário Meissner, 632 – Jardim Botânico – 80.210-170 – Curitiba, PR – E-mail: batistaufpr@ufpr.br; tetto@ufpr.br
2Engenheiro Florestal.Pesquisador Doutor do Simepar. Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná – 81.531-980 - Curitiba, PR – E-mail: deppe@simepar.br
3Agrônomo, Doutor. Pesquisador aposentado do Iapar – Instituto Agornômico do Paraná. E-mail: lgrodzki@hotmail.com
4Engenheiro Cartógrafo, Pesquisador do Simepar. Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná – CEP 81.531-980 - Curitiba, PR – Brasil – E-mail: jgrassi@simepar.br

Recebido em 07/11/2013 - Aceito para publicação em 03/07/2014

Resumo

Os incêndios florestais são um fenômeno global resultante da interação entre o clima, os combustíveis e as atividades humanas. Há uma expectativa da maioria dos pesquisadores de que as mudanças no clima nos próximos 100 anos acarretará um impacto muito importante nos ecossistemas florestais. O objetivo desse trabalho foi determinar, por decênio, o zoneamento de risco de incêndios florestais para o estado do Paraná, considerando os cenários previstos pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) em 2007. Para isso foram utilizados dados sobre cobertura vegetal, umidade do material combustível, índice de perigo de incêndios (FMA), declividade, hipsometria, orientação das encostas, densidade demográfica e sistema viário. Essas informações, após serem classificadas em função do risco de incêndios, foram ponderadas em um modelo matemático. Os valores determinados compuseram o Zoneamento de Risco de Incêndios Florestais (ZRIF), por decênio, para o estado. Foi observado que para o melhor cenário, que considera um aumento de 1,8 ºC na temperatura média da Terra até 2100, haverá um aumento na classe de risco extremo de incêndios florestais, passando de 1,80% da área do estado em 2020 para 8,49% em 2100. O mesmo ocorre com a classe de risco muito alto, que passa de 10,43% (2020) para 32,38% (2100). Para o pior cenário, que considera um acréscimo de 4,0 ºC na temperatura média da Terra até 2100, a classe de risco extremo passa de 2,18% (2020) para 22,72% (2100), enquanto a classe de risco muito alto passa de 13,93% (2020) para 55,95% (2100). Caso se confirmem as previsões do IPCC, haverá um aumento no número de ocorrências e áreas atingidas pelos incêndios florestais no estado do Paraná, o que exigirá ações integradas de prevenção e combate para minimizar possíveis danos ambientais, sociais e econômicos.
Palavras-chave: oscilações climáticas, material combustível, Fórmula de Monte Alegre, umidade do material combustível, zoneamento de risco de incêndio florestal.

Abstract

Forest fires are global phenomena resulting from the interaction between climate, fuels and human activities. There is an expectation of most researchers that changes in climate over the next 100 years will cause a major impact on forest ecosystems. The aim of this study was to determine, by decade, the zoning of forest fire risk for the state of Paraná, based on the scenarios predicted by the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) in 2007. For this maps of vegetation were used, fuel moisture, Monte Alegre Formula (FMA), slope, altimetry, slope orientation, population density and road systems. This information, after being classified according to the risk of fire hazard, were weighted in a mathematical model. The determined values were then used to compose the Forest Fires Zoning Risk (ZRIF) per decade for the State. It was observed that for the best scenario, which considers an increase of 1.8 ºC in the average temperature of the Earth by year 2100, there will be an increase in class extreme risk of forest fires, rising from 1.80% of the area of the State in 2020 to 8.49% in 2100. The same applies to the class of very high risk, which rises from 10.43% (2020) to 32.38% (2100). For the worst scenario, which considers an increase of 4.0 ºC in the average temperature of the Earth by 2100, the class of extreme risk rises from 2.18% (2020) to 22.72% (2100). The higher risk class rises from 13.93% (2020) to 55.95% (2100). If the IPCC predictions were confirmed, there will be an increase in the number of occurrences and areas affected by forest fires in the state of Paraná, which will require integrated actions to prevent and supress forest fires to minimize environmental damage, social and economic.
Keywords: climate oscillations, forest fuel, Monte Alegre Formula, fuel moisture, forest fire zoning of risk.





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