Scientia Forestalis, volume 43, n. 105
p.63-74, março de 2015

Tensão de crescimento e sua relação com as rachaduras de topo em toras de Eucalyptus spp.

Growth stress and its relationship with end splits in logs of Eucalyptus spp.

Rafael Beltrame1
Matheus Lemos de Peres2
Marília Lazarotto3
Darci Alberto Gatto1
Eduardo Schneid4
Clovis Roberto Haselein5

1Doutor. Professor Adjunto do Centro de Engenharias. UFPel - Universidade Federal de Pelotas. Rua Conde Porto Alegre, 793 - 96010-290 – Pelotas, RS. E-mail: beltrame.rafael@yahoo.com.br; darcigatto@yahoo.com.
2Mestrando do Programa de Pós Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais. UFPel - Universidade Federal de Pelotas. Rua Conde Porto Alegre, 793 - 96010-290 – Pelotas, RS. E-mail: matheusldeperes@gmail.com.
3Doutora. Professora Adjunta do Departamento de Horticultura e Silvicultura. UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Avenida Bento Gonçalves - 91540-000 - Porto Alegre, RS. E-mail: marilia.lazarotto@ufrgs.br.
4Doutorando do Programa de Pós Graduação em Engenharia Civil. UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina. Caixa Postal 476 – 88040900 – Florianópolis, SC. E-mail: eduardoschneid87@gmail.com.
5Doutor. Professor Associado do Departamento de Ciências Florestais. UFSM - Universidade Federal de Santa Maria. Av. Roraima, 1000 - 97105-900 – Santa Maria, RS. E-mail: clovis.haselein@ufsm.br.

Recebido em 21/10/2013 - Aceito para publicação em 20/09/2014

Resumo

Com o crescimento da produção de madeiras de espécies exóticas, a exemplo das pertencentes ao gênero Eucalyptus, torna-se necessário o enfoque aos seus parâmetros de qualidade. Dessa forma, o objetivo do presente estudo foi a determinação dos níveis de deformações residuais longitudinais (DRL), as estimativas das tensões de crescimento longitudinal (TCL), bem como os índices de rachaduras de topo (IRT) em toras de Eucalyptus spp. O material utilizado teve origem de um teste clonal entre espécies do gênero Eucalyptus. Para cada clone, foram selecionados oito indivíduos, totalizando 232 árvores, analisadas aos oito anos de idade. Foi feita a análise da DRL em árvores em pé e vivas, com o auxílio de um extensômetro digital. Para a determinação da TCL levou-se em consideração a DRL e o módulo de elasticidade estático, determinado de acordo com a norma ASTM D 143. O IRT foi determinado em duas árvores para cada clone, avaliando-se a abertura e o comprimento das rachaduras no sentido transversal, em função da altura comercial (toras subdivididas) e de cada extremidade do torete (ponta fina, ponta grossa). As variáveis do estudo foram submetidas a análises de variância para posterior comparação de médias pelo teste de Scott-Knott e análises de Correlação de Pearson. Por meio das análises estatísticas, obteve-se um valor médio de 0,147 mm para a DRL e, para a TCL, valor médio de 303,5 kgf.cm-2. Já para IRT, obteve-se um valor médio de 0,46%. Os resultados para IRT demostraram diferenças estatísticas entre os clones, posições de retirada das toras analisadas, bem como as posições de extremidade do torete. Entretanto, entre blocos de agrupamento por espécie não houve diferença significativa. Na análise de Pearson foram encontradas correlações positivas e significativas das variáveis DRL/TCL com o índice de rachaduras. Com isso, conclui-se que é possível prever a tendência do IRT, fazendo-se a avaliação no campo da DRL, tornando-se esta variável uma ferramenta confiável para a seleção de clones menos propensos ao desenvolvimento de rachaduras.
Palavras-chave: deformação residual longitudinal, defeitos na madeira, qualidade da madeira.

Abstract

The growth of the production of exotic woods, such as from the genus Eucalyptus, requires a focus on its quality parameters. In this context, the aim of this work is to determine the level of longitudinal residual strain (DRL); estimate the longitudinal growth stresses (TCL) and the logs’ end splitting (IRT) of Eucalyptus spp. wood. The material used came from a clonal test of various Eucalyptus species. Eight trees of each clone were selected, totalizing 232 trees, with 8 years of age. DRL values were obtained in live and standing trees using a digital extensometer. Determination of TCL was performed considering DRL values and static modulus of elasticity, which were obtained according to the ASTM D 143 standard. IRT was evaluated in two trees of each clone, in which width and length splitting in the transversal section were measured related to commercial height (subsection of logs) and at the extremity of each section (small and large end). The study variables were subjected to the analysis of variance for comparison of means by the Scott-Knott test and Pearson correlation analysis. Through statistical analysis, a mean value of 0.147 mm for the DRL and a mean value of 303.5 kgf.cm-2 for the TCL were obtained. An average value of 0.46% was obtained for IRT. A statistical difference between clones, commercial height position and small and large end of each log was verified in IRT analysis. However, no significant difference between grouping blocks per species was found. Pearson’s test for DRL, TCL and IRT variables was performed and the main findings showed significant and positive correlations of DRL/TCL variables with IRT. Therefore, it is possible to predict the trend of IRT by performing an evaluation of DRL in the field; so this variable becomes a reliable tool for the selection of clones less prone to splitting.
Keywords: longitudinal residual strain, wood defects, wood quality.





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