Scientia Forestalis, volume 45, n. 115
setembro de 2017
DOI: dx.doi.org/10.18671/scifor.v45n115.12

Dinâmica da paisagem ripária do rio Pitangui no Primeiro Planalto Paranaense entre 1953 e 2012

Riparian landscape dynamic of Pirangui river in First Plateau of Paraná between 1953 and 2012

Tiaro Katu Pereira1
Franklin Galvão2
Rosemeri Segecin Moro3
Christel Lingnau4
Silvio Frosini de Barros Ferraz5

1Doutorando em Engenharia Florestal. UFPR – Universidade Federal do Paraná. Rua Lothário Meissner, 632 - Jardim Botânico - 80210-170 - Curitiba, PR, Brasil. E-mail: tkpereira@live.com
2Professor Sênior do Departamento do Ciências Florestais. UFPR – Universidade Federal do Paraná. Rua Lothário Meissner, 632 - Jardim Botânico - 80210-170 - Curitiba, PR, Brasil. E-mail: fgalvao@ufpr.br
3Professor Sênior do Curso de Pós-Graduação em Geografia. UEPG - Universidade Estadual de Ponta Grossa. Av. Carlos Cavalcanti, 4748 – Uvaranas - 84030900 - Ponta Grossa, PR – Brasil. E-mail: moro.uepg@gmail.com
4Professor Adjunto no Departamento do Ciências Florestais. UFPR – Universidade Federal do Paraná. Rua Lothário Meissner, 632 - Jardim Botânico - 80210-170 - Curitiba, PR, Brasil. E-mail: lingnau@ufpr.br
5Professor associado do Departamento de Ciências Florestais. USP – Universidade de São Paulo / ESALQ – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”. Av. Padua Dias, 11 - Caixa Postal - 13418900 - Piracicaba, SP, Brasil. E-mail:  silvio.ferraz@usp.br

Recebido em 09/07/2016 - Aceito para publicação em 10/05/2017

Resumo

Neste trabalho analisou-se a dinâmica espaço-temporal da paisagem ripária do rio Pitangui, nos municípios de Castro, Carambeí e Ponta Grossa. Foram considerados os anos de 1953, 1980, 2001 e 2012 para verificar os efeitos dos sucessivos ciclos econômicos sobre a paisagem ripária da região dos Campos Gerais. Empregou-se análise espacial, métricas e indicadores para acompanhar as unidades da paisagem – vegetação florestal (VF), vegetação herbácea (VH) e áreas antrópicas (AA). Em 1953, a vegetação nativa constituía 99,5% da área; em 1980, as transformações ocorridas expressam mudanças nas práticas de uso, com a exploração de madeira como fonte energética e abertura gradativa de áreas para agricultura - áreas de VF diminuíram 13,4%. Em 2012 as AA, algumas com alta intensidade de uso agrícola, passaram a ocupar 12% da planície ripária (175,5 ha). Enquanto a VF expandiu 5,5%, possivelmente pela mudança nas formas de exploração e intensificação de ações voltadas para a preservação de florestas ripárias, áreas de VH contabilizaram uma redução de 14,5%, substituídas principalmente por áreas agricultáveis e, recentemente, por plantios de espécies exóticas. Embora se perceba pouca variação nos índices de forma e conectividade, foi constatado um aumento na heterogeneidade da paisagem devido a fragmentação imposta pelas AA intercaladas. Os resultados evidenciam a influência dos períodos econômicos, vinculados a interesses socioambientais e dispositivos legais, na dinâmica da paisagem. A VH foi mais afetada, o que remete às práticas de manejo e às políticas públicas equivocadas no passado, e que a recente aprovação da Lei Florestal torna consolidados.
Palavras-chave: Planície Aluvial; Mudanças Espaço-temporais; Uso do solo.

Abstract

In this paper, we analyze the space-temporal dynamics of the riparian landscape of the Pitangui River, in Castro, Carambeí, and Ponta Grossa. We considered the years of 1953, 1980, 2001 and 2012 to verify the effects of successive economic cycles on the riparian landscape of the Campos Gerais region. Spatial analysis, metrics and indicators to monitor the landscape units were used: forest vegetation (VF), herbaceous one (VH) and land use (AA). In 1953, the native vegetation comprehended 99.5% of the area; in 1980, the changes expressed transformation in practices of use, exploitation of wood as energy sources and gradual opening of agricultural areas - VF areas decreased 13.4%. In 2012 the AA, some with high intensity agricultural use, occupied 12% of the riparian plain (175, 5 ha). While the VF expanded 5.5 percent, possibly due to the change in the forms of exploitation and intensification of actions directed to the preservation of riparian forests, VH areas accounted for a 14.5% reduction, replaced mostly by farm lands and recently, by exotic plantations. Although we could notice little variation in shape and connectivity, an increase in landscape heterogeneity was found due to fragmentation imposed by interspersed AA. The results show the influence of economic cycles linked to environmental and legal interests, on the landscape changes. The VH was the most affected, due to management practices and misguided public policies in the past, which the recent approval of the forestry law consolidated.
Keywords: riparian plain; space-temporal dynamics; land use.





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