Scientia Forestalis, volume 45, n. 116
p.727-737, dezembro de 2017
DOI: dx.doi.org/10.18671/scifor.v45n116.13

Mosaicos clonais de eucalyptus no planejamento florestal e seus efeitos econômicos e produtivos

Eucalyptus clonal mosaics in forest planning and their effects on wood production and economy

Tayrine Vieira Martins1
Lucas Rezende Gomide2
Antônio Carlos Ferraz Filho3
Pedro Resende Silva4
Lucas Amaral de Melo2

1Mestranda em Engenharia Florestal. UFLA - Universidade Federal de Lavras / Departamento de Ciências Florestais. Campus Universitário - Caixa-postal: 3037 - 37200-000 - Lavras, MG, Brasil. E-mail: tatavmartins@gmail.com.
2Professor Adjunto do Departamento de Ciências Florestais. UFLA - Universidade Federal de Lavras. Campus Universitário - Caixa-postal: 3037 - 37200-000 - Lavras, MG, Brasil. E-mail: lucasgomide@dcf.ufla.br; lucas.amaral@dcf.ufla.br.
3Professor Adjunto do Campus Professora Cinobelina Elvas. UFPI - Universidade Federal do Piauí. Avenida Manoel Gracindo - Km 01 - 64900000 - Bom Jesus, PI, Brasil. E-mail: acferrazfilho@ufpi.edu.br.
4Mestre em Engenharia Florestal. UFLA - Universidade Federal de Lavras / Departamento de Ciências Florestais. Campus Universitário - Caixa-postal: 3037 - 37200-000 - Lavras, MG, Brasil. E-mail: pedro.resende@queirozgalvao.com.

Recebido em 23/08/2016 - Aceito para publicação em 24/07/2017

Resumo

Atualmente um novo conceito de planejamento florestal vem se popularizando, o planejamento florestal espacial. Nele, a unidade de manejo ou talhão passa a ser vista de maneira mais abrangente com análise para seu tamanho, forma e distribuição em relação aos demais. Para este problema, foram elaborados modelos de Programação Linear Inteira (PLI), com uso de restrições do planejamento tradicional, restrições espaciais do tipo URM (Unit Restriction Model) colheita e restrição de adjacência clonal, nova aplicação de URM. Objetivou-se, com este trabalho, criar um modelo de minimização de custo utilizando restrição de adjacência clonal. A intenção desta restrição é reduzir o tamanho de áreas homogêneas, em florestas de eucalipto e, desta forma, diminuir a proliferação de pragas e doenças além de contribuir para a tomada de decisão do gestor florestal. O processamento dos dados foi realizado, nos princípios da PLI e gerou 11 cenários que diferenciaram entre si pela natureza das restrições, espacial e não espacial, bem como restrições volumétricas e limite de área a ser reformada. O volume médio colhido nos cenários sem restrição espacial foi 0,64% maior em relação àqueles com restrições espaciais. A adição de restrição espacial reduziu o valor da função objetivo. Nos cenários, em que houve restrição de área mínima de reforma, houve diferenças significativas nos custos. Para os cenários com 50%, 40% e 30% de área de reforma, houve um aumento de 15%, 11% e 8% no custo final, respectivamente. Os mapas gerados evidenciam, na matriz paisagística, a eficácia da aplicação das restrições espaciais. A aplicação da restrição de adjacência clonal mostrou-se melhor que a URM colheita e seu custo ficou próximo do planejamento tradicional, apenas 0,14% superior, comprovando a viabilidade de sua aplicação no contexto de medida preventiva de proliferação de pragas e doenças, despontando como uma ferramenta potencial para redução de custos com manejo de pragas.
Palavras-chave: Planejamento espacial; URM; Matriz paisagística; Pragas florestais.

Abstract

Currently a new concept of forest planning has become popular, spatial forest planning. In it, the stand is seen as part of a whole and it is considered its size, shape and distribution in relation to the others. For this problem, we used constraints of traditional planning, spatial constraints of the URM (Unit Restriction Model) type and restrictions of clonal adjacency, a new application of URM in forestry. This study aimed to create a cost minimization model using clonal material adjacent spatial restriction. This was done with the intention of reducing the size of homogenous areas in eucalypt forests and thus hinder the proliferation of pests and diseases, as well as contribute to the decision making of the forest manager. Data processing was carried out with the principles of Integer Linear Programming and generated 11 scenarios differentiated by the nature of the restrictions, spatial and non-spatial, as well volumetric restrictions and limitation of area to be reformed. The average volume harvested in the scenarios without space restriction was 0.64% higher than those with space constraints. The spatial restriction addition reduced the value of the objective function. In the scenarios where there was restriction of a minimum reform  area there were significant differences in costs. For scenarios with 50%, 40% and 30%  reform area there was an increase of 15%, 11% and 8% in the final cost, respectively. The generated maps demonstrated the affective of the application of spatial constraints in the landscape matrix. The application of restriction of clonal adjacency by the URM proved to be better than traditional harvest URM and its cost was close to the traditional planning, only 0.14% greater, proving the feasibility of its application in the context of a preventive measure of pest and disease proliferation, emerging as a potential tool to reduce cost of pest management.
Keywords: Spatial planning; URM; Landscape matrix; Forest pests.





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