Scientia Forestalis, volume 44, n. 109
p.191-204, março de 2016
DOI: dx.doi.org/10.18671/scifor.v44n109.19

Unidades de manejo para pinus: desenvolvimento e aplicação de metodologia em áreas de produção no oeste catarinense

Management units for pine: methodology development and application in production areas of western Santa Catarina State, Brazil

Joao Bosco Vasconcellos Gomes1
Itamar Antonio Bognola1
Lorena Stolle2
Paulo Eduardo Telles dos Santos1
Shizuo Maeda1
Lorenzo Teixeira de Melo da Silva3
Antonio Francisco Jurado Bellote1
Guilherme de Castro Andrade1

1Pesquisador Doutor. Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Embrapa Florestas.  Estrada da Ribeira, km 111 - 83411000 - Colombo, PR, Brasil.
2Mestre em Engenharia Florestal. UFMS - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Rod MS 306 Km 105 -79560000 - Chapadão do Sul, MS, Brasil.
3Gerente técnico. F&W Forestry Brasil. Rua General Daltro Filho - 92500000 - Guaíba, RS, Brasil.

Recebido em 03/11/2014 - Aceito para publicação em 12/08/2015

Resumo

O presente trabalho teve por objetivos desenvolver e aplicar, no oeste catarinense, uma metodologia de estabelecimento de unidades de manejo para pinus a partir do mapeamento semi-detalhado de solos das áreas de estudo. Duas hipóteses de trabalho foram modeladas, ambas utilizando o sistema de produção de pinus local, que não faz correção da deficiência de nutrientes (ΔN): uma interpretação baseada na ausência de resposta ao melhoramento do ΔN, ou seja, que os tetos de produtividade independem dessa ação, sendo esse o modelo atual; e uma segunda interpretação considerando que a ausência do melhoramento do ΔN interfere nos tetos de produtividade do cultivo de pinus para as terras estudadas, modelo que representa um novo paradigma a ser testado. Cada polígono do mapa de solos detalhado foi associado a uma base de dados, que permitiu a definição dos graus de limitação das terras (ΔN, deficiência de água, deficiência de oxigênio, suscetibilidade à erosão e impedimentos ao manejo) para o cultivo do pinus. Conjuntos de critérios, considerando os diferentes graus de limitação alcançados para cada faixa de terra (polígonos do mapeamento de solos), definiram os guias para as classes de unidades de manejo para o cultivo de pinus. O mapeamento de solos semi-detalhado das áreas de produção identificou áreas mapeáveis associadas às classes de solos, em nível de ordem, Latossolos, Nitossolos, Cambissolos, Neossolos e Gleissolos. Essas cinco ordens geraram 36 unidades de mapeamento de solos. As limitações associadas aos atributos profundidade efetiva, relevo e presença de pedregosidade/rochosidade fizeram dos impedimentos ao manejo os fatores de limitação mais importantes para o cultivo de pinus das áreas mapeadas. Os quantitativos das classes de unidades de manejo para pinus dependeram de se considerar ou não a hipótese de resposta ao melhoramento do ΔN no sistema de manejo em uso na região. Na hipótese da ausência de resposta ao melhoramento do ΔN para a produção de pinus, temos os seguintes quantitativos: Apta superior com 113,14 ha (ou 7,5% da área mapeada); Apta inferior com 644,73 (ou 42,8% da área mapeada); Marginal superior com 408,35 (ou 27,1% da área mapeada); Marginal inferior com 277,58 ha (ou 18,4% da área mapeada) e Inapta com 63,2 ha (ou 4,2% da área mapeada). Ao se considerar a hipótese de uma resposta positiva ao melhoramento de ΔN para a produção de pinus e que o atual sistema de manejo não faz esse melhoramento, ocorre uma piora dos resultados, com muitas terras migrando das classes de unidades de manejo Apta (superior e inferior) para a classe Marginal superior.
Palavras-chave: levantamento de solos, aptidão silvicultural, planejamento de uso da terra.

Abstract

This study was carried out in order to develop and implement an enhanced methodology for establishing management units for pine tree plantations, based on soil surveys performed in lands under investigation located in the western portion of the state of Santa Catarina. Two hypotheses were modeled using the local pine production system, which make no correction of the nutrients deficiency (ΔN): 1st) an interpretation based on the non-response to ΔN improvement, i.e., the pine productivity is not dependent of this action, which is the current model; 2nd) the lack of ΔN improvement affects the productivity of the pines, which is a model that represents a new paradigm to be tested. Each polygon of the soil map was associated with a database, which allowed the definition of the land limitation degrees for pine cultivation (ΔN, water deficiency, oxygen deficiency, erosion susceptibility and management impediments). The management unit classes were defined by two sets of criteria, taking into account the different land limitation degrees achieved for each land polygon (from soil maps). The semi-detailed soil survey identified map polygons associated with five soil orders, as follows: Latosols, Nitosols, Cambisols, Neosols and Gleysols. In turn, these orders generated 36 soil map units. The most important land limitation degree for pine growth in the lands under study was the management impediments, due to limitations of the soil depth, terrain slope and rocky fragments. The distribution of the management unit classes was influenced by the response or non-response to the ΔN improvement on the current silvicultural practices used in the region. In the event of non-response to ΔN improvement for the pine growth, we have found the following results: 113.14 ha of Highly suitable (or 7.5% of the mapped area); 644.73 ha of Lowly suitable (or 42.8% of the mapped area); 408.35 ha Upper marginal (or 27.1% of the mapped area); 277.58 ha Lower marginal (or 18.4% of the mapped area); 63.20 ha Not-suitable (or 4.2% of the mapped area). When assuming the hypothesis of a positive response to the ΔN improvement for the pine production and also that the current management system does not consider this improvement, a worse result occurs and many lands migrate from the suitability (high and low) management unit classes to the Upper marginal ones.
Keywords: soil survey, silvicultural evaluation, land use planning.





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