Scientia Forestalis, volume 42, n. 104
p.631-639, dezembro de 2014

Diversidade genética em populações naturais de Mauritia flexuosa L. f. (Arecaceae) com uso de marcadores ISSR

Genetic diversity in natural populations of Mauritia flexuosa (Arecaceae) using ISSR markers

Fernanda Saragosa Rossi1
Ana Aparecida Bandini Rossi2
Juliana de Freitas Encinas Dardengo3
Luciane Raquel Brauwers1
Maurecilne Lemes da Silva2
Alexandre Magno Sebbenn4

1Bióloga. UNEMAT - Universidade do estado de Mato Grosso. Campus Universitário de Alta Floresta. Residencial Flamboyant - 78.580-000 - Alta Floresta, MT – Brasil: fernandasarossi@gmail.com.
2Professora Doutora do Departamento de Ciências Biológicas. UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso. Campus Universitário de Alta Floresta. Residencial Flamboyant - 78.580-000 Alta Floresta, MT - Brasil. E-mail: anabanrossi@gmail.com; maurecilne@gmail.com
3Mestranda em Biodiversidade e Agroecossistemas Amazônicos. UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso. Campus Universitário de Alta Floresta. Residencial Flamboyant - 78580-000 - Alta Floresta, MT - Brasil. E-mail: ju_kk@hotmail.com
4Doutor.Pesquisador Científico. IF - Instituto Florestal de São Paulo. CP 1322 - 01059-970 - São Paulo, SP, 01059-970, Brasil.

Recebido em 20/06/2013 - Aceito para publicação em 10/08/2014

Resumo

Três Populações naturais de Mauritia flexuosa localizadas no município de Alta Floresta (estado de Mato Grosso) foram estudadas com o objetivo de avaliar a distribuição da diversidade genética entre e dentro de populações, a partir de marcadores moleculares ISSR, visando fornecer subsídios para a elaboração de estratégias de manejo e conservação. Foram testados 29 primers ISSR para amplificação e selecionados nove para as análises definitivas em 51 indivíduos. Foi amplificado um total de 97 bandas com uma porcentagem de 78,3% de polimorfismo em nível de espécie. As populações Sol Nascente e Santa Luzia apresentaram maior diversidade gênica de Nei (H= 0,196 e 0,238, respectivamente), maior índice de Shannon (I = 0,296 e 0,355, respectivamente) e maior polimorfismo (P = 59,8% e 66,0%, respectivamente) do que à população Monte Alegre (H = 0,185; I = 0, 274 e P = 51,5%). A AMOVA revelou que 84,1% da variação genética total encontram-se dentro de populações enquanto 15,9% entre populações. O fluxo gênico estimado de 3,02 corrobora com a pequena diferenciação populacional (Fst= 0,159 e Gst= 0,142). A análise de agrupamento confirmou a estrutura geográfica das populações.
Palavras-chave: Buriti, Marcadores Moleculares, Variabilidade Genética.

Abstract

Three Natural populations of Mauritia flexuosa localized in the city of Alta Floresta (Mato Grosso state), were studied to evaluate the distribution of genetic diversity among and within population using ISSR markers, aiming to provide input for the development of management and conservation strategies. Twenty nine ISSR primers were tested for amplification and nine were selected for the definite analyses in 51 individuals. A total of 97 bands were amplified with a percentage of 78.3% of polymorphism at the species level. The populations Sol Nascente and Santa Luzia presented higher Nei genetic diversity (H = 0.196 and 0.238, respectively), Shannon index (I = 0.296 and 0.355, respectively) and polymorphism (P = 59.8% and 66.0%, respectively) than Monte Alegre population (H = 0.185; I = 0.274 and P = 51.5%). The AMOVA showed that 84.1% of the total genetic variation was inside of populations whereas 15.9% among populations. The estimated gene flow of 3.02 corroborates with the small population differentiation (Fst = 0.159 and Gst = 0.142). The grouping analysis confirmed the geographical structure of the populations.
Keywords: Buriti, Molecular Markers, Genetic Variability.


INTRODUÇÃO

A Amazônia abriga a maior diversidade de palmeiras do território brasileiro, nela são encontrados 35 dos 42 gêneros e cerca de 150 das 208 espécies reconhecidas para o Brasil (LORENZI et al., 2004). Mauritia flexuosa L. f., conhecida popularmente como buriti, é uma palmeira da família Arecaceae que ocorre em toda a Amazônia, sendo considerada a palmeira mais abundante do Brasil (LORENZI et al., 2010). É encontrada no seu estado silvestre em várias formações vegetais, principalmente em áreas de inundação permanente ou periódica, em agrupamentos mais ou menos homogêneos, sobre solos hidromórficos, formando populações quase mono-específicas, às quais se dá o nome de miritizais ou buritizais (STORTI, 1993; FERNANDES, 2001).

M. flexuosa desenvolve um importante papel na economia e nos ecossistemas da Amazônia (GOULDING; SMITH, 2007), pode ser considerada uma espécie-chave devido as amplas relações de associação com a biota (ELLISON et al., 2005), tais como fornecimento de alimentos e habitat para a vida selvagem (HENRY et al, 2000; BRIGHTSMITH, 2005). A espécie é fitotelmata, ou seja, o pecíolo pode armazenar grande volume de água, suportando uma abundante e relativamente rica fauna de macroinvertebrados aquáticos (NEISS, 2007). O fruto faz parte da dieta de povos da Amazônia (HENDERSON, 1995) e é fundamental para a cultura indígena (MEJIA, 1988; HORN et al, 2012). A espécie destaca-se nas aplicações farmacêuticas e industriais devido os níveis de beta-caroteno encontrados nos frutos dessa palmeira (SANTOS, 2005; SILVA et al, 2009; ZANATTA et al., 2010).

Diante da importância ecológica e como alternativa econômica, nos últimos anos tem crescido o número de pesquisas envolvendo M. flexuosa (RESENDE et al., 2012). Entretanto, estudos sobre a diversidade genética em populações de buriti são escassos (GOMES et al., 2011). O conhecimento e a organização da variabilidade genética é um passo importante para a conservação genética e para futuros trabalhos de melhoramento, uma vez que o desmatamento e a fragmentação florestal, ocasionados pela expansão da fronteira agropecuária e a exploração seletiva de madeiras, tem gerado perdas irreparáveis no que concerne aos fatores ecológicos e genéticos de manutenção da biodiversidade de espécies amazônicas (ASNER et al., 2009; BROADBENT, 2008; LAURANCE; PERES, 2006), dentre  as quais pode-se citar M. flexuosa.

A exploração predatória de espécies arbóreas, nas florestas tropicais, pode promover uma série de alterações, tais como: redução no tamanho efetivo populacional, mudanças no padrão de distribuição espacial, no comportamento de polinizadores e dispersores de sementes, na taxa de cruzamento, entre outras (LOVELESS; HAMRICK, 1984;  YOUNG et al., 1996). Todos estes fatores podem afetar a estrutura genética das populações e, como conseqüências, trazer a perda de alelos raros, a redução da heterozigosidade e o aumento da endogamia. A perda de alelos leva à redução, na capacidade das espécies, de responder a adversidades ambientais em gerações futuras; pode ocorrer redução na adaptabilidade das espécies (YOUNG et al., 1996). Portanto, a caracterização dos graus de variabilidade e estrutura genética e o conhecimento da movimentação de alelos proporcionam as bases necessárias da execução de estratégias, para maximizar a eficiência dos programas de manejo e conservação genética.

Na caracterização da diversidade genética, basicamente se utilizam quatro tipos de marcadores: morfológicos, bioquímicos, moleculares e citológicos. Os moleculares apresentam a particularidade de poderem ser utilizados para a análise em qualquer estágio de desenvolvimento da planta (KAMADA et al. 2009).

Os ISSRs (Inter Simple Sequence Repeats) são marcadores moleculares semiarbitrários, amplificados por PCR em presença de um oligonucleotídeo complementar para um microssatélite designado (SOUZA et al., 2005). Destacam-se entre outros por não necessitar de informação prévia da seqüência de DNA e apresentar procedimentos laboratoriais com boa taxa de transferibilidade (BARTH et al., 2002). Vários estudos realizados com marcador ISSR têm demonstrado a eficiência desse marcador em análises da variabilidade genética em populações vegetais (ALMEIDA, 2009; BRANDÃO, 2008; CIDADE, 2009; GIUSTINA et al., 2014; RIVAS et al., 2013; ROSSI et. al., 2009).

O crescente interesse industrial e farmacêutico por M. flexuosa, bem como a fragmentação dos habitats, tem contribuído para a redução das populações e consequentemente predispondo a espécie ao risco de perda de variabilidade genética. Portanto, objetivou-se neste estudo avaliar a distribuição da diversidade genética entre e dentro de populações naturais de M. flexuosa, a partir de marcadores moleculares ISSR, visando fornecer subsídios para a elaboração de estratégias de manejo e conservação.


MATERIAL E MÉTODOS


Material Vegetal

Para caracterização da diversidade genética de M. flexuosa, no ano de 2007, foram amostradas três populações naturais, em pequenos fragmentos isolados, localizados no norte do Estado de Mato Grosso, no Município de Alta Floresta (Figura 1). Cada população amostrada é constituída por um buritizal formado por 40 indivíduos em média, assim, foram amostrados na população I (Sol Nascente - SON) 17 indivíduos, na população II (Monte Alegre - MOA) 16 indivíduos e na população III (Santa Luzia - SAL), 18 indivíduos. Foram coletadas folhas jovens dos 51 indivíduos distribuídos nas três populações, o material foliar foi identificado e acondicionado em sílica gel ainda no campo, posteriormente foi armazenado em freezer a -20 ºC.


Figura 1. Localização geográfica das populações de M. flexuosa amostradas no norte do Estado de Mato Grosso, no Município de Alta Floresta. SON - Sol Nascente; MOA - Monte Alegre; SAL - Santa Luzia.
Figure 1. Geographical location of M. flexuosa populations sampled in northern state of Mato Grosso State, in the municipality of Alta Floresta. SON - Sol Nascente; MOA - Monte Alegre; SAL - Santa Luzia.


Extração de DNA total, Seleção de primers, otimização da PCR e Amplificação de ISSR

O DNA genômico total foi extraído de aproximadamente 100 mg de folhas usando o método de CTAB descrito por Doyle e Doyle (1987), com modificações para o buritizeiro: CTAB 3% (100 mM Tris-HCl, pH 8,0; 1,4 M cloreto de sódio; 20 mM EDTA); 2% polivinilpirrolidona (PVP), 2% β-mercaptoetanol e 30 minutos de incubação em banho Maria. A qualidade e a concentração do DNA extraído foram confirmadas por eletroforese em gel de agarose 0,8% com marcador de DNA λ.

As Amplificações foram realizadas em um volume total de 20 μL contendo: 10 mM Tris-HCl (pH 8,3); 50 mM KCl; 0,1% de tween 20; 2,5 mM MgCl2; 0,2 mM de cada dNTP; 0,2 μM de primer, 0,75 U de Taq DNA polimerase, 2% formamida,  aproximadamente 30 ng de DNA template e água Milli-Q. As amplificações foram conduzidas em termociclador GeneAmp PCR System 9700 (Applied Biosystems) sob as seguintes condições: 1 ciclo inicial de desnaturação a 94 °C por 5 minutos, seguido por 35 ciclos de 94 ºC por 45 segundos, 45-52 ºC (dependendo do primer utilizado) por 45 segundos e 72 ºC por 1,5 minutos e 1 ciclo de extensão final de 72 ºC por 7 minutos.

Inicialmente as amplificações foram realizadas em quatro amostras com 29 primers de ISSR obtidos da Universidade de British Columbia (UBC 801; 807; 808; 814; 822; 823; 824; 825; 827; 834; 835; 836; 844; 845; 848; 849; 850; 852; 853; 854; 855; 856; 861; 866; 873; 880; 881; 890 e 891). Os nove primers de ISSR (Tabela 1) que produziram maior número de bandas confiáveis e polimorfismo reproduzível nas amostras, foram selecionados para as análises definitivas em todos os indivíduos.

Os produtos de amplificação foram separados por eletroforese em gel de agarose 1,5% em tampão de corrida TBE 1X (89,15 mM de Tris Base; 88,95 mM de Ácido Bórico e 2,23 mM EDTA), em voltagem constante de 110 V por quatro horas. A coloração do gel foi feita com brometo de etídeo (0,6 ng.mL-1). Os tamanhos dos fragmentos amplificados foram estimados, por comparação, com o marcador molecular de 100 pb DNA Ladder (Invitrogen(9)). Em seguida o gel foi fotografado sob luz ultravioleta usando o sistema de fotodocumentação Eagle Eye II (Stratagene(9)).


Análise dos dados

Os fragmentos de ISSR foram codificados como caracteres binários: presença (1) ou ausência (0) de bandas. Apenas bandas robustas e inequívocas foram avaliadas. Bandas com intensidade fraca ou coalescentes com outras bandas foram excluídas. Os dados da matriz de presença/ausência foram importados para o programa POPGENE 1.31 (YEH et al., 1999), onde foram estimados os seguintes parâmetros de diversidade: porcentagem de locos polimórficos (P), índice de diversidade de Shannon (I) e a diversidade gênica de Nei (H) (NEI, 1973). Os parâmetros P, I e H foram calculados em dois níveis: em nível de população (intrapopulacional) e espécie (interpopulacional). A identidade genética e a distância genética entre populações foram também computadas usando o modelo apresentado em Nei (1978). A análise de variância molecular (AMOVA) foi também utilizada para revelar a distribuição da diversidade genética dentro e entre as populações. Nesta análise, a diversidade genética total foi partida em dois níveis hierárquicos distintos: diferença entre populações e entre indivíduos dentro de população. A AMOVA foi realizada de acordo com Excoffier et al. (1992), com o auxílio do programa Arlequim 3.01 (EXCOFFIER et al., 2006). A significância da diferenciação foi testada com 1.000 permutações, em que P denota a probabilidade de se observar um valor ao acaso igual ou maior ao valor observado.

O programa “Structure” (PRITCHARD et al., 2000), baseado em estatística Bayesiana foi utilizado para inferir o número de grupos (k). Foram realizadas 20 corridas para cada valor de K, 200.000 “burn-ins” e 500.000 simulações de Monte Carlo de Cadeias de Markov (MCMC). Para definição do K mais provável em relação aos propostos foram utilizados os critérios propostos por Pritchard e Wen (2004) e também o critério proposto por Evano et al. (2005).


RESULTADOS E DISCUSSÃO


Estrutura genética de populações naturais de M. flexuosa

Os nove primers selecionados produziram um total de 97 bandas, que variaram de 300 pb a aproximadamente 2.1 kb, correspondendo a uma média de 10,7 bandas por primer. Os iniciadores UBC 807 e UBC 827 foram os que revelaram o maior número de bandas polimórficas (13), enquanto o UBC 834 foi o iniciador menos informativo apresentando apenas duas bandas polimórficas de sete  (Tabela 1).

Dos 97 locos revelados neste estudo, 78,3% foram polimórficos em nível de espécie. Portanto, a técnica de ISSR mostrou-se um método eficiente para examinar a diversidade genética dentro de populações naturais de M. flexuosa. Gomes et al. (2011) também obtiveram um alto polimorfismo (86,4%) ao analisarem populações de M. flexuosa no estado do Amazonas, porém com a utilização de marcadores AFLP.

A população MOA, quando comparada às outras duas populações, demonstrou menor número total de bandas (86 contra 89 SON e 91 SAL), menor porcentagem de bandas polimórficas (51,5% contra 59,8% de SON e 66% de SAL). A população SAL foi a que apresentou o maior percentual de bandas polimórficas.

Tabela 1. Primers utilizados e números de bandas produzidas em nível de população e de espécie em populações naturais de M. flexuosa. SON - Sol Nascente; MOA - Monte Alegre; SAL - Santa Luzia.
Table 1. Primers used and number of bands produced at species and population level in natural populations of M. flexuosa. SON - Sol Nascente; MOA - Monte Alegre; SAL - Santa Luzia.
Primers Número de Bandas (Bandas polimórficas)
SON MOA SAL ESPÉCIE
UBC 807 16 (12) 14 (8) 17 (12) 17 (13)
UBC 824 11 (9) 12 (11) 11 (10) 12 (11)
UBC 827 17 (13) 12 (7) 15 (10) 17 (13)
UBC 834 07 (1) 07 (1) 07 (2) 07 (2)
UBC 844 07 (5) 09 (7) 10 (10) 10 (10)
UBC 848 10 (8) 10 (8) 09 (7) 12 (11)
UBC 855 07 (3) 07 (4) 07 (3) 07 (4)
UBC 866 08 (1) 08 (1) 08 (5) 08 (5)
UBC 873 06 (6) 07 (3) 07 (5) 07 (7)
Média 9,8 (6,4) 9,5 (5,5) 10,1 (7,1) 10,7 (8,4)
Total 89 (58) 86 (50) 91 (64) 97 (76)


Diversidade genética entre e dentro de populações

Dentre as populações analisadas, SAL e SON apresentaram maior diversidade genética, como demonstrado pelos maiores valores de H e I, enquanto que MOA apresentou a menor diversidade genética (Tabela 2). As populações SAL e SON também apresentaram maior porcentagem de polimorfismo quando comparadas com MOA (Tabela 2).

Tabela 2. Diversidade genética dentro de populações naturais de M. flexuosa. N, tamanho da amostra; P, porcentagem de polimorfismo; H, diversidade gênica de Nei (1973); I, índice de diversidade gênica de Shannon. SON - Sol Nascente; MOA - Monte Alegre; SAL - Santa Luzia.
Table 2. Genetic diversity within natural populations of M. flexuosa. N, sample size; P, polymorphism percentage; H, Nei’s genetic diversity (1973); I, Shannon’s index of gene diversity. SON - Sol Nascente; MOA - Monte Alegre; SAL - Santa Luzia.
Populações N P (%) H I
SON 17 59,8 0,196 0,296
MOA 16 51,5 0,185 0,274
SAL 18 66,0 0,238 0,355
Média 59,1 0,206 0,308
Espécie 51 78,3 0,242 0,370

A análise de variância molecular (AMOVA) indicou que 15,87% da variância total esta entre populações e 84,14% dentro de populações, demonstrando que a maior diferenciação genética está no componente intrapopulacional do que no componente interpopulacional (Tabela 3). Estes resultados corroboram com vários trabalhos realizados com espécies tropicais que afirmam que a maior diversidade genética ocorre em nível intrapopulacional (FREITAS et al., 2005; OLIVEIRA; SILVA, 2008; ROSSI et al, 2009). Porém Giustina et al. (2014); Rivas et al. (2013)  encontraram uma maior diferenciação genética interpopulacional do que intrapopulacional ao analisarem populações naturais de cupuí e cacauí, duas espécies alógamas da região Amazônica. Os resultados encontrados para M. flexuosa neste estudo estão de acordo com a afirmação de Hamrick; Godt, (1996), espécies autógamas possuem baixa diversidade genética dentro de populações e alta diferenciação genética entre populações, quando comparadas com espécies alógamas.

Para espécies com reprodução cruzada (alógamas), estimativas da diferenciação genética entre populações naturais baseada em dados de AMOVA com marcadores RAPD (um marcador dominante, como ISSR) têm normalmente sido inferiores a 28%. Para espécies autógamas, a estimativa da variação genética interpopulacional tem normalmente sido superior a 70% (NYBOM; BARTISH, 2000). A diversidade genética entre as populações encontrada neste estudo foi de 15,9% (Tabela 3), o que se encontra dentro das estimativas de Nybom e Bartish (2000) para espécies com reprodução cruzada, Rivas et al. (2013) encontraram uma variação interpopulacional de 51,71%  para a espécie Theobroma sunbincanum e Giustina et al. (2014) uma variação de 60,45%,  ambas dentro dos padrões propostos para espécies alógamas.

A diferenciação genética interpopulacional de 15,9% encontrada neste estudo reforçam as conclusões do estudo de Storti (1993), de biologia floral de M. flexuosa onde concluiu que a espécie é dióica e utiliza como sistema de reprodução a xenogamia (fertilização alogâmica realizada por gametas de indivíduos diferentes). Segundo Gomes et al. (2011), o alto padrão de diversidade genética observado em M. flexuosa se deve ao fato de que a espécie é alógama.

Tabela 3. Análise de variância molecular (AMOVA) das três populações naturais de M. flexuosa, com uso de 9 marcadores ISSR.
Table 3. Analysis of molecular variance (AMOVA) for three natural populations of M. flexuosa, using 9 ISSR markers.
Fonte de Variação GL SQ CV VT (%) Valor de P
Entre populações 2 90,011 2,019 15,87 <0,000
Dentro de populações 48 514,087 10,710 84,13
Total 50 604,098 12,729
*Componente de Variância (CV), Variância Total (VT) e Probabilidades de ter um componente de variância maior que os valores observados ao acaso (P). As probabilidades foram calculadas por 1.000 permutações ao acaso.

O baixo valor de Fst (0,1587) obtido sugere não existir uma estruturação entre as populações, ou seja, que existiria fluxo gênico entre as mesmas (Nm=3,0255). Esta identidade observada entre as populações possivelmente seja remanescente do período onde a paisagem não se apresentava tão fragmentada e sugere-se que esta fragmentação da área em estudo seja recente, considerando o ciclo de vida perene da espécie em estudo. Assim, mesmo que as populações não formassem um contínuo na natureza, elas estavam menos distanciadas, e provavelmente com um maior número de indivíduos, mantendo o fluxo gênico entre elas.

Segundo Rosa et al. (2003) no ano de 1976 chegaram os primeiros colonos na região onde seria o município de Alta Floresta, MT, indicando que o processo de redução da cobertura florestal, do habitat em estudo, já acontece há pelo menos 38 anos. Desta forma, um possível isolamento das populações ocorreu entre 35 anos atrás. Considerando uma geração arbórea, para esta espécie perene, de cerca de 30 a 50 anos, haveria no máximo uma geração de isolamento, o que pode ser considerado pouco tempo para que os processos de endogamia sejam refletidos na distribuição da variabilidade genética da espécie, na região em estudo. Segundo Lee et al. (2002), a diversidade genética mantida dentro e entre populações é função de eventos históricos e de processos evolutivos recentes.


Distância genética entre populações e estrutura geográfica

A Tabela 4 mostra uma estimativa da identidade genética e distância genética de Nei (1978) para todas as comparações, par-a-par entre as populações. A menor distância genética encontrada foi entre as populações SAL e MOA (0,043) e a maior distância foi entre as populações SAL e SON (0,071), correspondendo também as maiores distâncias geográficas.

Tabela 4. Medidas de distância genética de Nei (1978) e distância geográfica entre populações naturais de M. flexuosa. SON - Sol Nascente; MOA - Monte Alegre; SAL - Santa Luzia.
Table 4. Measures of Nei's genetic distance (1978) and geographic distance among natural populations of M. flexuosa. SON - Sol Nascente; MOA - Monte Alegre; SAL - Santa Luzia.
Populações Distância genética Distância geográfica
SAL com MOA 0,043 20 km
MOA com SON 0,061 40 km
SAL com SON 0,071 60 km
*Componente de Variância (CV), Variância Total (VT) e Probabilidades de ter um componente de variância maior que os valores observados ao acaso (P). As probabilidades foram calculadas por 1.000 permutações ao acaso.

A análise bayesiana implementada pelo programa “Structure” evidenciou a diferenciação genética dos indivíduos de M. flexuosa em três grupos distintos (Figura 2). Esta análise agrupa os indivíduos com base em distinções genéticas, sem a necessidade de uma pré-identificação das populações, porém os três agrupamentos encontrados corresponderam às três populações de M. flexuosa amostradas nas três localidades de estudo. O grupo 1 do “Structure” corresponde a população SAL, o grupo 2 a população MOA e o grupo 3 a população SON. Estes resultados demonstram que as populações de M. flexuosa estudadas estão estruturadas geneticamente, ou seja, há variabilidade genética intrapopulacional. As três localidades de amostragem analisadas podem ser de fato reconhecidas como três populações distintas. Farias (2010) ao estudar populações de Minquartia guianensis distribuídas ao longo da América Central também encontrou esta estruturação populacional.


Figura 2. Representação dos 51 indivíduos de três populações naturais de M. flexuosa em grupos segundo dados moleculares com nove ISSRs utilizando o programa “Structure”. Os indivíduos estão representados por barras verticais com coloração de acordo com o grupo ao qual pertencem (três grupos, K = 3). Grupo 01 - Santa Luzia; Grupo 02 - Monte Alegre; Grupo 03- Sol Nascente.
Figure 2. 51 individuals from three natural populations of M. flexuosa in groups according to molecular data with nine ISSRs using the "Structure" program. The individuals are represented by vertical bars colored according to the group to which they belong (three groups, K = 3). Group 01 - Santa Luzia, Group 02 - Monte Alegre, Group 03 – Sol Nascente.


Implicações para conservação

Os resultados obtidos neste estudo com marcadores ISSR demonstraram que as populações naturais de M. flexuosa apresentam alta variabilidade genética intrapopulacional (84,14%). Uma boa estratégia para a conservação efetiva dessa variabilidade seria a preservação de várias populações ao longo da distribuição geográfica da espécie. Isso garantiria que a alta diversidade genética encontrada fosse mantida nas diferentes populações.

Nas populações amostradas os indivíduos encontram-se estruturados espacialmente, indicando que o processo de fragmentação na área de estudo pode estar afetando os padrões de reprodução desta espécie, o que pode levar ao cruzamento entre indivíduos aparentados gerando endogamia. Esse processo faz com a espécie em longo prazo, perca sua capacidade reprodutiva.

Dessa forma, os resultados evidenciam a necessidade de conservar as populações naturais de M. flexuosa para que sua variabilidade genética não seja perdida ao longo das gerações.


CONCLUSÕES

Os locos analisados apresentaram uma elevada porcentagem de polimorfismo em nível de espécie. As populações Sol Nascente e Santa Luzia apresentaram maior diversidade gênica de Nei, maior índice de Shannon e maior polimorfismo do que a população Monte Alegre. A diversidade genética entre as populações encontrada neste estudo foi de 15,9%.  Propõe-se que sejam conservados vários indivíduos por população, a fim de se preservar a alta diversidade genética intrapopulacional, de modo a possibilitar a manutenção da variabilidade genética e a conservação efetiva dessas populações.


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