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Edição 75 – 12 de agosto de 2014_ |
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Grande patrimônio florestal nacional está ameaçado de
desapropriação A
Estação Experimental de Ciências Florestais de Itatinga (EECFI), demonstra em
sua história uma grande capacidade de sobrevivência. Tudo
começa por 1974, quando o prof. Helládio do Amaral Mello (fundador do IPEF),
enviou o expediente (DS/266/74) ao reitor da USP, visando a incorporação do
Horto Florestal de Itatinga ao patrimônio da universidade. Após anos de lutas
e burocracia, um decisivo ofício do então deputado estadual, Dr. Jairo
Ribeiro de Mattos, foi encaminhado pessoalmente ao Governador Orestes
Quércia, no sentido de incorporar o quanto antes o Horto de Itatinga ao
patrimônio da USP. Em 28 de julho de 1988 foi efetivada a lavratura da
escritura de doação do Horto de Itatinga à USP. Essa
data marcou a posse definitiva de um conjunto de árvores que, na época, era o
maior patrimônio genético de Eucalyptus saligna existente no País e
uma das principais espécies para as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste
brasileiras para a produção de lenha, carvão, celulose e chapas. Hoje,
além de ser um dos mais importantes bancos de materiais genéticos florestais
de diversas espécies do Brasil e do mundo, a estação de Itatinga proporciona
espaço para a realização de uma grande quantidade de experimentos, sendo que
mais de 150 projetos de pesquisa estão em plena atividade no momento. Todo
este recurso propicia o avanço da pesquisa florestal e, por consequência, a
manutenção e o aumento da excelente produtividade florestal brasileira.
Em
dados recentes da Ibá (Industria Brasileira de
Árvores), o setor florestal brasileiro representa algo entorno de 6% do
PIB nacional, 3% das exportações e mantém 5 milhões de empregos (contando
apenas as empresas ligadas a esta associação). Isto demonstra a importância
da manutenção das pesquisas em andamento nesta estação. Em
maio deste ano, a Universidade de São Paulo foi surpreendida pelo ofício
173/2014 da Secretaria de Planejamento do Desenvolvimento Regional de SP,
solicitando informações sobre o uso da área da estação de Itatinga,
demonstrando o interesse do Governo do Estado de São Paulo na possibilidade
de desapropriação de parte da área.
Farta
documentação demonstrou a intensa atividade de pesquisa nesta área, com
inúmeras teses, dissertações e artigos científicos, além de demonstrar que
existem projetos em andamento na referida área. Desde o início do processo,
foi procurado demonstrar ao Governo a importância da área para as atividades
de pesquisa e os prejuízos que poderiam ser causados por uma eventual
desapropriação. De
fato, não parece ser razoável o entendimento de que uma estrutura de enorme
valor estratégico, destinada ao desenvolvimento científico tecnológico de um
importante setor da economia nacional, associado a um modelo inovador de
gestão de patrimônio, venham a ser substituídos por investimentos em
infraestrutura, sem o devido estudo de comparação de benefícios que as novas
atividades possam a vir gerar para a região, que engloba o município de
Itatinga, e para o País.
O
IPEF e suas associadas, parceiros da Universidade de São Paulo nestas
pesquisas, reforçam a necessidade da manutenção da área em posse da USP, como
forma de proteger as pesquisas em curso, de manter o atual banco de material
genético florestal (de valor imensurável), e suas áreas de proteção
ambiental. A
ciência florestal e a competividade de nossa indústria de base florestal, não
podem ficar órfãos de tamanho conhecimento ali propiciado! |
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Instituto
de Pesquisas e Estudos Florestais |