Scientia Forestalis, volume 41, n. 97
p.131-144, março de 2013

Biomassa, macronutrientes e carbono Orgânico na serapilheira depositada em trecho de floresta Estacional Semidecidual Submontana, ES.

Biomass, macronutrients and organic carbon in the litter in a section of submontane seasonal semideciduous forest, E.S.

Tiago de Oliveira Godinho1
Marcos Vinicius Winckler Caldeira2
Jônio Pizzol Caliman3
Luiz Carlos Prezotti4
Luciano Farinha Watzlawick5
Humberto Carlos Almeida de Azevedo6
José Henrique Tertulino Rocha7

1Engenheiro Florestal, Mestre em Ciências Florestais, Doutorando em Recursos Florestais. USP – Universidade de São Paulo – ESALQ - Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Departamento de Ciências Florestais. Pesquisador INCAPER , BR 101 Norte, Km151, Caixa Postal 62, 29915–140, Linhares, ES. E-mail: godinhoto@hotmail.com.
2Professor Doutor. UFES - Universidade Federal do Espírito Santo, Centro de Ciências Agrárias, Departamento de Ciências Florestais e da Madeira, Alto Universitário, s/n. CP 16, Alegre, E.S. CEP: 29500-000 Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq. E-mail: caldeiaramv@pq.cnpq.br.
3Engenheiro Florestal, Mestrando em Ciência Florestal, bolsista CNPQ. UFV - Universidade Federal de Viçosa. Avenida Peter Henry Rolfs, s/n, Campus Universitário, 36570-000, Viçosa/MG. E-mail: jpcaliman@gmail.com.
4Pequisador Doutor. Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural, Rua Afonso Sarlo, nº 160, Bento Ferreira, Vitória, E.S. CEP: 29052-010. E-mail: prezotti@incaper.es.gov.br.
5Professor Doutor. UNICENTRO - Universidade Estadual do Centro-Oeste. Setor de Ciências Agrárias e Ambientais. Rua Salvador Renna, Padre Salvador, nº 875, Santa Cruz, Guarapuava, PR. CEP: 85015-430 Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq. E-mail: luciano.watzlawick@pq.cnpq.br.
6Graduando em Engenharia Agronômica, UFES - Universidade Federal do Espírito Santo Centro de Ciências Agrárias, Alto Universitário, s/n. Caixa Postal: 16, Alegre, E.S. CEP: 29500-000. E-mail: hcazevedo.agro@gmail.com.
7Mestrando em Recursos Florestais, bolsista CAPES. USP – Universidade de São Paulo - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz – USP, Avenida Pádua Dias, 11, 13418-900, Piracicaba/SP. E-mail: rocha.jht@gmail.com.

Recebido em 05/03/2012 - Aceito para publicação em 25/01/2013

Resumo

O presente estudo teve por objetivos quantificar o aporte anual de serapilheira, macronutrientes e carbono orgânico em um trecho de Floresta Estacional Semidecidual Submontana, no Município de Cachoeiro de Itapemirim (ES), verificar a variação temporal de deposição de serapilheira e macronutrientes; e investigar a existência de correlações entre as variáveis climáticas e características estruturais da vegetação e a produção de serapilheira. A amostragem da serapilheira depositada foi realizada em 12 parcelas de área fixa (20 m x 50 m), sendo as mesmas distribuídas de forma sistemática no campo, totalizando 1,2 ha de área amostrada. Em cada uma das 12 parcelas foram distribuídos cinco coletores de forma sistemática, totalizando 60 coletores, onde foi realizada a coleta mensal do material depositado sobre os coletores. Após a coleta, as amostras foram levadas imediatamente para o laboratório, onde foram separadas nas frações folhas/miscelâneas e galhos. Determinaram-se os teores de macronutrientes (N, P, K, Ca, Mg, S) e carbono orgânico (Corg). O estudo da deposição de serapilheira na floresta foi analisado segundo o delineamento em blocos casualizado, com 12 tratamentos (meses do ano) e 12 repetições (para efeito de cálculo, os coletores na parcela foram unidos, formando 1,25 m² de coleta, e cada parcela tornou-se um bloco). A deposição de serapilheira mostrou-se sazonal, com maiores produções ocorrendo no final da estação seca, produzindo no decorrer de um ano 9,3 Mg ha-1, sendo a fração de maior deposição a folhas/miscelâneas, que representou 89,0% da deposição total. Observou-se pequena variação nos teores de macronutrientes no decorrer do ano, sendo o cálcio e o fósforo respectivamente o macronutriente encontrado em maior e menor teor e conteúdo em todas as frações do estudo. Ocorreu um retorno total de 506,62 kg ha-1 ano-1 de macronutrientes.
Palavras-chave: ciclagem de nutrientes; mata nativa; retorno de macronutrientes.

Abstract

This study aimed at quantifying the annual production of litter, macronutrients and organic carbon in a section of Submontane Seasonal Semideciduous Forest in the municipality of Cachoeiro de Itapemirim (ES); checking the temporal variation of litter and macronutrients; and investigating the correlations between climatic variables and vegetation structure and litter production. A sampling of deposited litter was taken in 12 fixed area plots (20 m x 50 m), and was distributed systematically in the field, totaling 1.2 ha of sampled area. In each of the 12 plots five collectors were distributed in a systematic way with a total of 60 collectors, which were collected monthly for material deposited in the collectors. After collection, samples were taken immediately to the laboratory where they were separated into fractions of leaves/miscellaneous and branches. The levels of macronutrients (N, P, K, Ca, Mg, S) and organic carbon (OC) were determined. The study of the deposition of litter in the forest was analyzed according to the randomized block design, with 12 treatments (months of the year) and 12 repetitions (for calculation purposes, the collectors in the plot were united, totaling 1.25 m² of collection, and each portion became a block). The deposition of litter was found to be seasonal, with higher production occurring at the end of the dry season, producing in the course of one year 9.3 Mg ha-1 being the largest fraction of deposition leaves/miscellaneous, which represented 89.0% of the total deposition. For litter there was little variation in the levels of macronutrients throughout the year; and calcium and phosphorus, respectively, were the nutrients found in highest and lowest levels in all fractions of the study. There was a total return of 506.62 kg ha-1.year-1 of macronutrients.
Keywords: nutrient cycling; native stands; return of macronutrients.


INTRODUÇÃO

De acordo com Olson (1963), serapilheira é a camada de resíduos orgânicos que se acumulam sobre o solo dos ecossistemas florestais, sendo constituídos por folhas, gravetos, ramos, caules, frutos, flores, sementes, partes vegetais não identificadas, além de corpos e dejetos de animais. A serapilheira desempenha dois dos maiores papéis nos ecossistemas florestais: primeiro, a queda de serapilheira é parte inerente do ciclo de nutrientes, e segundo, a serapilheira forma uma camada protetora na superfície do solo que regula as condições microclimáticas (SAYER, 2005; CALDEIRA et al., 2010; CALDEIRA et al., 2008).

De acordo com Golley et al. (1978) e Vitousek e Sanford (1986) fazem parte do processo de ciclagem de nutrientes a deposição, acúmulo e decomposição do material vegetal. A deposição é o processo pelo qual a serapilheira do sistema vegetal se deposita na superfície do solo (CUEVAS; MEDINA, 1986; CALDEIRA et al., 2010; CALDEIRA et al., 2008).

A quantidade de serapilheira aportada ou acumulada varia em função da tipologia vegetal e da condição climática. Vários fatores, abióticos e bióticos, afetam a produção de serapilheira, como tipo de vegetação, altitude, latitude, precipitação, temperatura, regimes de luminosidade, relevo, herbivoria, deciduidade, estágio sucessional, evapotranspiração, disponibilidade hídrica e características do solo (BRUN et al., 2001; CALDEIRA et al., 2008; FIGUEIREDO FILHO et al., 2003).

A produção de serapilheira é considerada como o mais importante fluxo do ciclo do carbono no solo, movimentando nutrientes da vegetação para o solo, onde podem se acumular nos horizontes orgânicos ou serem incorporados ao solo mineral e, assim, podem ser reaproveitados pela vegetação (DELITTI, 1984; KÖNIG et al., 2002). Em estudo realizado por Watzlawick et al. (2012) em uma Floresta Ombrófila Mista Montana no Paraná, os autores relatam que mais de 85% da biomassa total e do carbono orgânico total estão estocado na estrutura vegetal acima do solo, sendo o estoque total de carbono orgânico de 104,7 Mg ha-1, demonstrando a importância da manutenção e preservação desses ecossistemas naturais como forma de manutenção desse estoque de carbono orgânico fixado na biomassa vegetal. Para Vital et al. (2004), é através da produção de serapilheira que ocorre parte do processo de retorno de matéria orgânica e de nutrientes para o solo florestal, sendo ela considerada o meio mais importante de transferência de elementos essenciais da vegetação (nutrientes) para o solo (CALDEIRA et al., 2010; CALDEIRA et al., 2008).

Trabalhos relacionados com a produção e acúmulo de serapilheira fornecem subsídios para um melhor entendimento da dinâmica dos nutrientes. Além disso, permitem a geração de informações que ajudem na escolha de espécies florestais para a formação de maciços, através da sazonalidade, da quantidade e da qualidade da serapilheira produzida, quando suas características químicas e físicas forem relevantes para a melhoria do solo e da cadeia alimentar resultante dos detritos por elas gerados (CALDEIRA et al., 2008).

Por meio dessas avaliações, pode-se obter um conjunto de informações que podem contribuir para um melhor conhecimento do bioma e funcionar também como ferramenta no planejamento do manejo a ser adotado, principalmente em regiões fortemente antropizadas e em via de degradação, a fim de gerar conhecimento básico para futuros trabalhos visando a sua recuperação. Nesse contexto, este estudo teve por objetivos quantificar o aporte anual de serapilheira, macronutrientes e carbono orgânico em um trecho de Floresta Estacional Semidecidual Submontana, no Município de Cachoeiro de Itapemirim (ES), verificar a variação temporal de deposição de serapilheira e macronutrientes; e investigar a existência de correlações entre as variáveis climáticas e características estruturais da vegetação e a produção de serapilheira.


MATERIAL E MÉTODOS

Localização e caracterização da área de estudo

O presente trabalho foi realizado na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Cafundó que está situada na Fazenda Boa Esperança, no município de Cachoeiro de Itapemirim-ES (Figura 1), localizada em cotas de 100 a 150 m de altitude (IBGE, 1987). A RPPN Cafundó possui 517 hectares (Latitude 20º43’S - Longitude 41º13’W).


Figure 1. Mapa de localização e esquema das parcelas na RPPN Cafundó.
Figura 1. Location map and layout of the fields in RPPN Cafundó.

O clima da região na qual foi realizado o estudo enquadra-se, de acordo com a classificação de Köppen, no tipo Cwa, apresentando chuva mal distribuída ao longo do ano, com verão chuvoso e inverno seco. A temperatura média das mínimas do mês mais frio é de 11,8ºC, e a média das máximas do mês mais quente de 34ºC (PEZZOPANE et al., 2004). O índice médio pluviométrico anual é de 1293 mm (INCAPER, 2012).

Na Figura 2 são apresentados os dados de precipitação e temperatura média do ar da Estação Meteorológica de Alegre, ES, obtidos no site do Instituto Nacional de Meteorologia. A distância da estação meteorológica para a RPPN Cafundó é de aproximadamente 30 km.


Figure 2. Dados de precipitação e temperatura média do ar no período do presente estudo.
Figura 2. Data of precipitation and average air temperature in the period of this study.

A RPPN Cafundó está inserida no domínio do Bioma Mata Atlântica, na Fitofisionomia Floresta Estacional Semidecidual Submontana (IBGE, 1992). Em seu interior estão presentes fragmentos florestais com diferentes graus de antropização, tendo seus limites florestais com extensas regiões de pastagens. Quanto à ocupação do solo na região do estudo, predominam as áreas de pastagens, plantios de café e cana com remanescentes florestais nativos localizados principalmente nos topos de morros.

Em estudo realizado por Archanjo et al. (2012), referente à vegetação arbórea na área do presente estudo, os autores encontraram uma composição florística de 255 espécies, 152 gêneros e 54 famílias. O índice de diversidade (H’) foi de 4,13. Os valores de área basal (33,02 m² ha-1) e densidade (1823 ind ha-1) foram próximos aos de outras florestas estacionais semideciduais da região Sudeste. As espécies com maior valor de importância (VI) foram Astronium concinnum (Engl.) Schott, Pseudopiptadenia contorta (DC.) G.P. Lewis & M.P. Lima e Neoraputia alba (Nees & Mart.) Emmerich ex Kallunki. O remanescente florestal é composto predominantemente por espécies secundárias tardias, caracterizando-se como um fragmento bem preservado, que detém alta diversidade de espécies e com uma flora arbórea peculiar, ressaltando a importância desta área para conservação na região sul do Espírito Santo. Os dados das densidades absolutas, dominâncias absolutas e das riquezas das parcelas utilizadas para o presente estudo, de acordo com o estudo realizado por Archanjo et al. (2012), são apresentados na Tabela 1.

Tabela 1. Valores médios por parcela para a produção de serapilheira e os dados das densidades absolutas, dominâncias absolutas e riquezas referentes à vegetação arbórea da RPPN Cafundó realizados por Archanjo et al.(2012)
Table 1. Mean values per stands for litter production and data of absolute density, absolute dominance and richness related to woody vegetation of RPPN Cafundó conducted by Archanjo et al. (2012)
ParcelaProdução de serapilheira (kg ha-¹)Densidade absolutaDominância absolutaRiqueza
Folhas/MiscelâneasGalhosTotal
76.876,64866,967.743,60140023,55127
87.486,802.515,1210.001,92210047,98764
98.561,04529,129.090,16177056,08025
108.525,04765,209.290,24158030,16263
139.609,521.058,3210.667,84152047,58754
147.202,48953,528.156,00162040,05151
156.702,20728,847.431,04219025,56557
167.666,56840,328.506,88173035,09950
196.492,641.203,287.695,92155026,26737
209.300,40994,9610.295,36177028,96164
2110.172,961.385,1211.558,08170025,93530
2210.006,32779,1210.785,44170023,24547

O solo da RPPN Cafundó de acordo com o Sistema Brasileiro de Classificação dos Solos (EMBRAPA, 2006) é classificado como Latossolo Vermelho-Amarelo distrófico A moderado (Tabela 2).

Tabela 2. Atributos químicos do solo na profundidade de 0 - 20 cm das parcelas na Floresta Estacional Semidecidual Submontana, Cachoeiro de Itapemirim, ES.
Table 2. Soil chemical attributes at a depth of 0 – 20 cm of the plots in the Submontane Seasonal Semideciduous Forest, Cachoeiro de Itapemirim, ES.
ParcelapHPKNaCaMgAlH+AlSBtT
H2Omg dm-3cmolc dm-3
74,8357101,00,40,63,61,62,25,2
85,9656133,60,70,01,24,44,45,6
96,09120177,71,70,02,09,89,811,8
105,966592,70,80,01,43,73,75,1
136,31872112,60,60,01,23,43,44,6
146,7335993,20,40,00,93,83,84,7
156,353283,20,60,01,23,93,95,1
166,7775104,91,10,01,06,26,27,2
195,2366131,50,40,32,72,12,44,9
205,836282,10,60,02,02,92,94,9
215,7382103,21,00,02,44,54,46,8
226,1381104,01,20,01,45,45,46,9
ParcelaVmISNaMOP-remZnFeMnCuB
%g kg-1mg dm-3mg dm-3
731270,126301,196340,40,30
87800,124455,7221570,60,26
98300,145317,91711331,10,55
107200,126454,9120760,70,29
137400,124493,2651480,60,27
148200,1164913,0151750,90,34
157600,121455,3711440,60,26
168600,126444,5231760,50,47
1944120,121401,374400,60,47
205900,119444,773830,70,33
216500,134395,6821320,50,41
227900,132446,7141360,50,66
pH em água - Relação 1:2,5; P - Na - K - Fe - Zn - Mn - Cu - Extrator Mehlich-1; Ca - Mg - Al – Extrator KCL – 1mol.L-1; H + Al - Correlação com pH SMP; B - Extrator água quente; SB - Soma de bases trocáveis; t - Capacidade de troca catiônica efetiva; T - Capacidade de troca catiônica a pH 7 (CTC); V - Índice de saturação em bases; m = Índice de saturação em alumínio; ISNa - Índice de saturação em sódio; MO - Matéria orgânica (C.org x 1,724); P-rem - Fósforo remanescente ou de equilíbrio.

Coleta e processamento da serapilheira

A amostragem da serapilheira depositada foi realizada em 12 das 25 parcelas demarcadas para o estudo florístico e fitossociológico referentes à vegetação arbórea, realizado por Archanjo et al. (2012), totalizando 1,2 hectares de área amostrada, sendo as 12 parcelas representativas da área de estudo. A autora utilizou o método de amostragem de parcelas de área fixa de 20 m x 50 m, as quais estão distribuídas de forma sistemática no campo.

Em cada parcela foram distribuídos cinco coletores de serapilheira, alocados de forma sistemática dentro da parcela, sendo um próximo a cada vértice e o último, no centro. Estes foram construídos em estrutura de madeira de formato quadrado com 0,5 m x 0,5 m e 0,75 m de altura do solo, com telas de nylon, em malha de 2 mm, totalizando 60 coletores. Realizaram-se coletas mensais da serapilheira depositada sobre os coletores no período de dezembro de 2009 a novembro de 2010.

Em campo, a serapilheira depositada sobre cada coletor foi colocada, separadamente, em sacos plásticos devidamente identificados. Após a coleta, as amostras foram levadas imediatamente para o Laboratório, onde foram separadas nas frações folhas/miscelâneas e galhos como descrito a seguir: folhas/miscelâneas: fração da serapilheira constituída de folhas verdes, secas e/ou em estado de decomposição, material reprodutivo, frutos e demais materiais vegetais, os quais não se podiam identificar a origem; e galhos: parte da serapilheira constituída apenas de galhos e casca.

Cabe ressaltar que se optou em separar o material somente em duas frações, pois o mesmo era coletado em estado avançado de decomposição, o que dificultava a identificação. O material coletado e já separado nas frações dos cinco coletores de cada parcela foi unido formando uma amostra composta por parcela em cada mês, para que fossem realizadas as análises químicas do material. Para a determinação do peso seco das amostras de serapilheira depositada, o material foi transferido para sacos de papel pardos devidamente identificados, colocado em estufa de circulação e renovação de ar a 65°C até alcançar peso constante, e posteriormente foram pesados obtendo-se assim o peso seco do material. E em seguida foram trituradas em moinho do tipo Wiley, passadas em peneiras de malha 1,0 mm (20 mesh) e armazenadas em frascos de vidros para subsequente análise química (TEDESCO et al., 1995; MIYAZAWA et al., 1999).

Macronutrientes e carbono orgânico na serapilheira

As análises dos teores dos macronutrientes (N, P, K, Ca, Mg, S) e do carbono orgânico (Corg.) da serapilheira depositada foram realizadas conforme metodologia descrita por Embrapa (2009). O conteúdo dos macronutrientes e carbono orgânico contidos na serapilheira e transferidos para o solo via deposição foi estimado pela Equação 1 (CUEVAS; MEDINA 1986):

QNT = [ Nutriente ] x BSD (1)

Em que: QNT = Conteúdo de nutrientes transferidos para o solo; [ Nutriente ] = Teor do nutriente na serapilheira (g kg-1); BSD = Biomassa seca da serapilheira depositada (kg ha-1).

Análises estatísticas

O estudo da produção de serapilheira, teores e conteúdos dos macronutrientes na floresta foi analisado segundo o delineamento em blocos casualizado, com 12 tratamentos (meses do ano) e 12 blocos (para efeito de cálculo, os coletores na parcela foram unidos, formando 1,25 m² de coleta, e cada parcela foi considerada um bloco).

Os dados obtidos de biomassa (serapilheira), teor e conteúdo dos macronutrientes e carbono orgânico foram submetidos aos testes de normalidade (Shapiro-Wilk) e de homogeneidade de variâncias (Box-Cox). Quando os dados não apresentaram homogeneidade de variâncias foi aplicada a transformação recomendada pelo software. Atendendo a pressuposição da homogeneidade das variâncias procedeu-se com o teste F e quando significativo realizou-se o teste de Scott-Knott no nível de 5% de probabilidade, para comparação das médias.

Para avaliar a influência de fatores climáticos na produção de serapilheira e conteúdo de nutrientes aportados ao longo do período de estudo, foi calculada a matriz de correlação de Spearman entre a produção mensal de serapilheira, conteúdo de nutrientes, temperatura média do ar e precipitação mensal. Por meio de análise de regressão lineares, não lineares, simples e múltiplas, investigaram-se as relações entre a produção de serapilheira e os parâmetros da estrutura da vegetação: densidade absoluta, dominância absoluta e riqueza. Foi utilizado o software SAS 9.2 para testar as pressuposições, efetuar o teste F e as análises de correlação e regressão, já o teste de Scott-Knott foi efetuado no software SISVAR.


RESULTADOS E DISCUSSÃO

Produção e variação temporal da serapilheira

Os valores da produção de serapilheira apresentaram variabilidade espacial devido à composição florística e às diferentes características edáficas da área de estudo assim como uma variabilidade temporal associada à dinâmica dos processos de produção e de sazonalidade. Segundo Archanjo et al. (2012), a área apresenta várias espécies vegetais pertencentes a diferentes famílias, que possuem aspectos morfológicos e fenológicos distintos e uma distribuição espacial igualmente distinta. Isso pode contribuir para gerar tal variabilidade espacial na produção da serapilheira, comprovada pela análise estatística que demonstrou diferença entre os blocos (parcelas).

A característica estrutural da vegetação não influenciou a deposição das frações e o total da serapilheira depositada (Tabela 1) fato que foi evidenciado devido à ausência de significância dos modelos de regressões testados. Diferentemente do presente estudo, Moraes et al. (1999) estudando uma área de floresta atlântica e de restinga na Ilha do Cardoso, SP, verificaram menor produção de serapilheira na floresta de restinga, onde o volume de biomassa era inferior, como reflexo da menor abundância de indivíduos por hectare e um dossel mais baixo.

A ausência de extremos climáticos (períodos prolongados de frio intenso e seca), aliada à diversidade florística nessa região, permite que a floresta produza serapilheira durante todo o ano, mas com considerável variação entre os meses, conforme pode ser observado na Figura 3.


Figure 3. Variação temporal da produção de serapilheira na Floresta Estacional Semidecidual Submontana, Cachoeiro de Itapemirim, ES. Barras verticais indicam o desvio padrão. Colunas seguidas por uma mesma letra não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste de Scott-Knott.
Figura 3. Temporal variation of litter production in the Submontane Seasonal Semideciduous Forest, Cachoeiro de Itapemirim, ES. Vertical bars indicate the standard deviation. Columns followed by the same letter do not differ at 5% probability by Scott-Knott test.

A deposição de serapilheira apresentou-se sazonal, com picos máximos em dezembro, setembro e outubro, cujos meses correspondem ao final do período de seca e de menores temperaturas do ar. Os valores mínimos de deposição foram nos meses de maio, junho e julho, início da estação de seca e de menores temperaturas do ar. O padrão de deposição de serapilheira em florestas tropicais sempre é muito discutido em artigos que tratam deste tema. Observa-se que em muitas florestas há uma tendência de maior deposição ao final ou durante os períodos mais secos, como resposta da vegetação à estacionalidade climática, porém esta característica está mais restrita às formações florestais semideciduais ou deciduais (FERNANDES et al., 2007; KÖNIG et al., 2002; PINTO et al., 2008; 2009; VITAL et al., 2004).

De acordo com Larcher (2000), se o solo estiver com baixa umidade devido a uma diminuição na precipitação pluviométrica, essa situação desencadeará o processo de abscisão foliar, que tem como início do processo o transporte do ácido abcísico (ABA), o qual provoca o fechamento dos estômatos. Além disso, o aumento no grau de desidratação em função da baixa umidade pode ocasionar a senescência precoce da folha e separação da mesma do vegetal.

As florestas localizadas em regiões que apresentam duas estações bem definidas, uma seca e outra chuvosa, tendem a atingir um pico de deposição foliar no final da estação seca como estratégia de minimização dos efeitos da escassez de água (DELITTI, 1984). Entretanto, Santos et al. (1984) propuseram a hipótese de que alguns parâmetros vitais à manutenção dos ecossistemas terrestres não são afetados por variações climáticas que diferem das condições normais, possuindo estratégias adquiridas através de um processo evolutivo das comunidades vegetais.

Na Tabela 3, vê-se que a deposição de todas as frações e do total depositado não se correlacionou de forma significativa com a precipitação mensal e temperatura média do ar. Talvez seja necessário o uso de mais variáveis climáticas, como por exemplo, a ocorrência de tempestades no local, velocidade de ventos e direção, como também um período maior de observação (VOGEL et al., 2007). Outro aspecto importante está relacionado ao local onde foram coletadas as informações climáticas, como no caso do presente estudo, que a estação encontra-se a 30 km de distância da área de estudo. O ideal seria a instalação de uma estação no próprio local do experimento e a continuidade da pesquisa num período maior (FIGUEIREDO FILHO et al., 2003; VOGEL et al., 2007).

Tabela 3. Coeficiente de correlação de Spearman entre as variáveis meteorológicas, produção de serapilheira e conteúdo de nutrientes na Floresta Estacional Semidecidual Submontana, Cachoeiro de Itapemirim, ES.
Table 3. Spearman correlation coefficient between the meteorological variables, litter production and nutrient content in the Submontane Seasonal Semideciduous Forest, Cachoeiro de Itapemirim, ES.
F/MGaTPpTempN
F/M1,0000,8320,0008*0,999<0,0001-0,1390,66460,2590,41590,979<0,0001
Ga1,0000,8320,00080,0760,81220,4760,1170,8810,0002
T1,000-0,1390,66460,2590,41590,979<0,0001
Pp1,0000,3880,2116-0,1110,7292
Temp1,0000,3500,2643
N1,000
PKCaMgSCorg
F/M0,993<0,00010,7390,00600,993<0,00010,937<0,00010,979<0,00010,999<0,0001
Ga0,8530,00040,5770,04900,8250,00100,7480,00510,7620,00400,8320,0008
T0,993<0,00010,7390,00600,993<0,00010,937<0,00010,979<0,00010,999<0,0001
Pp-0,1530,6331-0,4200,1737-0,1740,5868-0,2510,4299-0,2020,5273-0,1390,6646
Temp0,2380,45600,0290,92670,2200,49070,1780,57860,2240,48370,2590,4159
N0,972<0,00010,6830,01440,972<0,00010,916<0,00010,944<0,00010,979<0,0001
P1,0000,7460,00530,986<0,00010,930<0,00010,972<0,00010,993<0,0001
K1,0000,7810,00270,8790,00020,7880,00230,7390,0060
Ca1,0000,951<0,00010,986<0,00010,993<0,0001
Mg1,0000,951<0,00010,937<0,0001
S1,0000,979<0,0001
Corg1,000
F/M: biomassa da fração/miscelâneas; Ga: biomassa da fração galhos; T: total de serapilheira depositada; Pp: precipitação; Temp: temperatura média do ar; N; conteúdo de nitrogênio aportado; P: conteúdo de fósforo aportado; K: conteúdo de potássio aportado; Ca: conteúdo de cálcio aportado; Mg: conteúdo de magnésio aportado; S: conteúdo de enxofre aportado e Corg: conteúdo de carbono orgânico aportado. * Significância do teste.

Em estudo realizado por Schlittler et al. (1993) em uma Floresta Mesófila Semidecídua, no Pontal do Paranapanema, SP, os autores relatam a ausência de correlação entre a precipitação e a queda de serapilheira. E Vogel et al. (2007) estudando uma Floresta Estacional Decidual, em Itaara, RS, não encontraram correlação significativa entre produção de serapilheira as variáveis ambientais temperatura média e precipitação mensal.

Como a abscisão de tecidos vegetais, além dos fatores climáticos e filogenéticos da planta, é influenciada por fatores pedológicos (umidade e aeração do solo, deficiência e toxicidade de constituintes minerais, salinidade e alcalinidade), poluentes atmosféricos, fogo, gravidade, insetos, microrganismos patogênicos, doenças, competição entre folhas novas e velhas (CALDEIRA et al., 2008), o estabelecimento de padrões de deposição baseados em apenas um ou poucos fatores deve ser visto com cautela.

A floresta estudada na RPPN Cafundó produziu de dezembro de 2009 a novembro de 2010, um total de 9.268,54 kg ha-1 de serapilheira, sendo que 8.216,88 kg ha-1 foram devidos à contribuição da fração folhas/miscelâneas, e 1.051,66 kg ha-1 da fração galhos, representando, respectivamente, 89% e 11% (Figura 4). Produção semelhante foi encontrada por Pezzatto e Wisniewski (2006) e Pinto et al. (2008, 2009), em Florestas Estacionais Semideciduais, König et al. (2002) em Floresta Estacional Decidual e por Silva et al. (2009) em uma Floresta Amazônica.

Nesse tipo de estudo, também é importante verificar a contribuição das frações vegetais ao longo do período de estudo. A fração folhas/miscelâneas representou 89% da serapilheira total depositada, porcentagem essa que está de acordo com a maioria dos estudos de produção de serapilheira em florestas tropicais, os quais relatam uma maior contribuição das folhas ao total de serapilheira produzida. Apresentando comportamento semelhante ao obtido para a deposição total, a qual certamente foi influenciada pela deposição das folhas/miscelâneas, permitindo assim o emprego dessa fração como indicador da produção de serapilheira em diferentes ecossistemas florestais, comprovado pela análise de correção que apresentou um r=0,999 a uma probabilidade de <0,0001 (Tabela 3). Este comportamento também foi observado por Köhler et al. (2008), em florestas tropicais secundárias da Costa Rica.

Do ponto de vista da ciclagem de nutrientes, as folhas representam a via mais rápida e mais rica para o retorno de nutrientes, o que configura uma estratégia das árvores na utilização de nutrientes para seu crescimento (CALDEIRA et al., 2008; PINTO et al., 2009). As folhas apresentam maiores teores da maioria dos nutrientes, por ser um tecido fisiologicamente mais ativo, e apresentam uma taxa de decomposição mais acelerada, por apresentarem uma alta superfície específica.

A contribuição da fração galhos foi de 11%, com picos máximos de queda no mês de dezembro, janeiro e março (estação chuvosa e quente), e em setembro, durante a estação seca e fria, e valor mínimo no mês de julho, mês esse que apresentou a menor precipitação durante o período de estudo (Figura 4). Porcentagem essa inferior à encontrada por Martins e Rodrigues (1999) em clareiras de uma Floresta Estacional Semidecidual que foi de 19% e por Pinto et al. (2009) que foram de 31 e 36 %, nas florestas iniciais e madura, respectivamente, em área de Floresta Estacional Semidecidual.


Figure 4. Variação temporal da deposição da fração (A) Folhas/Miscelâneas e (B) Galhos na Floresta Estacional Semidecidual Submontana, Cachoeiro de Itapemirim, ES. Barras verticais indicam o desvio padrão. Colunas seguidas por uma mesma letra não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste de Scott-Knott.
Figura 4. Temporal variation of the deposition of fractions (A) Leaves/Miscellaneous and (B) Branches in the Submontane Seasonal Semideciduous Forest, Cachoeiro de Itapemirim, ES. Vertical bars indicate the standard deviation. Columns followed by the same letter do not differ at 5% probability by Scott-Knott test.

O comportamento de deposição da fração galhos foi semelhante aos encontrados para a fração folhas/miscelâneas e para o total depositado, apresentando um r=0,832 a uma probabilidade de 0,0008 para a correlação entre galhos e folhas e também entre galhos e o total depositado (Tabela 3). Os picos de material lenhoso que contribuem para a formação da camada de serapilheira são na maioria das vezes atribuídos à ação das chuvas ou dos ventos (MARTINS; RODRIGUES, 1999) e são relatados por vários autores nas florestas tropicais.

Macronutrientes e Carbono Orgânico

Teor

A época do ano (meses) influenciou no teor dos nutrientes na serapilheira depositada, principalmente na fração folha/miscelâneas (Tabela 4). O teor dos nutrientes também apresentaram uma variação espacial, comprovada pela significância (p<0,001) do teste F aos blocos (parcelas).

Tabela 4. Teores médios dos macronutrientes, carbono orgânico e a relação C/N na fração Folhas/Miscelâneas e Galhos, na Floresta Estacional Semidecidual Submontana, Cachoeiro de Itapemirim, ES.
Table 4. Average levels of macronutrients, organic carbon and C/N ratio in fraction Leaves/Miscellaneous and Branches in the Submontane Seasonal Semideciduous Forest, Cachoeiro de Itapemirim, ES.
Mês/anoFolhas/miscelâneas
NPKCaMgSCorg.C/N
g kg-1%
Dez/0919,50C0,97B3,96E20,40C2,57C1,07C53,70A27,64B
Jan/1021,00B1,24A8,68B20,62C3,08B1,44C53,32A25,93C
Fev/1023,08B1,14A10,78A25,51A3,61A1,75A52,54B24,33C
Mar/1024,67A1,15A5,67D21,02C2,38D1,58B53,56A22,05D
Abr/1021,58B1,05A4,56E20,75C2,82C1,65A54,33A25,65C
Mai/1021,00B0,99B6,49C22,49B3,05B1,57B52,88B25,64C
Jun/1021,92B1,19A10,17A23,65B3,78A1,73A53,46A24,76C
Jul/1019,50C1,09A8,80B22,66B3,48A1,69A53,70A27,95B
Ago/1019,00C0,99B10,59A23,05B3,51A1,72A52,88B28,02B
Set/1016,75D0,87C11,08A22,68B3,38A1,61B53,36A32,35A
Out/1016,58D0,83C9,19B26,33A3,81A1,56B52,93B32,24A
Nov/1020,08C1,17A5,32D22,85B2,37D1,63B53,85A27,50B
Média20,391,067,9422,673,151,5853,3827,00
s2,360,132,591,870,520,180,503,02
CV%11,5912,2932,688,2416,5811,620,9411,17
Mês/anoGalhos
NPKCaMgSCorg.C/N
g kg-1%
Dez/0913,58A0,64A2,83A24,70B1,76A0,84B55,39A42,25B
Jan/1014,92A0,71A3,28A29,28A1,62A0,90B54,77A38,59B
Fev/1013,92A0,63A3,60A30,72A1,73A1,15A54,38A40,21B
Mar/1012,67B0,53B2,43B26,84B1,68A1,11A54,67A44,08B
Abr/1011,33B0,51B2,16B24,55B1,65A1,04A55,10A49,63A
Mai/1012,67B0,57B1,87B30,55A1,51A0,97A53,61A42,99B
Jun/1013,25A0,56B2,11B27,45B1,51A1,06A54,33A41,80B
Jul/1012,92B0,60A1,86B30,42A1,50A1,05A54,23A42,54B
Ago/1012,42B0,55B2,34B31,01A1,60A0,96A54,28A44,26B
Set/1012,67B0,58B3,13A27,88B1,55A1,03A54,52A44,12B
Out/1013,08A0,58A2,70A30,19A1,85A1,08A54,48A44,18B
Nov/1011,17B0,56B2,08B26,65B1,45A1,05A54,77A50,25A
Média12,880,592,5328,351,621,0254,5443,74
s1,030,060,572,340,120,090,453,37
CV%7,969,5422,708,247,568,610,837,70

De um modo geral, os teores de N e P foram maiores no período de maior temperatura e precipitação (dezembro a junho), já o Ca e o Mg apresentaram os maiores teores no período de menor precipitação e temperatura. O teor de K foi altamente influenciado pela precipitação mensal, sendo que seu maior teor foi obtido nos meses que apresentaram menores precipitações, comportamento este esperado, pois este elemento encontra-se nos vegetais principalmente na forma iônica, sendo, portanto altamente suscetível ao processo de lavagem (ARCOVA; CICCO, 1987; VITAL et al., 2004). O teor de carbono orgânico apresentou poucas variações em função do ano, portanto a relação C/N foi altamente dependente do teor de N, sendo então maior nos períodos mais secos. Outros autores (CUNHA et al., 1993; SCHEER et al., 2011) não observaram diferença significativa nos teores de nutrientes em função da época do ano.

Tanto na fração folhas/miscelâneas quanto na fração galhos os macronutrientes que apresentaram o maior e menor teor foram, respectivamente, o Ca e P. A fração folhas/miscelâneas apresentou os maiores teores de N, P, K, Mg e S. A fração galhos apresentou os menores teores da maioria dos elementos determinados e a maior relação C/N.

O teor de macronutrientes nas frações estudadas apresentou a seguinte ordem decrescente: Ca > N > K > Mg > S > P. A ordem de quantificação dos teores dos nutrientes encontrada no presente estudo foi semelhante daquela encontrada por Gonçalves (2008), em um fragmento de Floresta Estacional Seminidecidual Submontana, Cachoeiro de Itapemirim, ES, para a fração foliar e diferente da fração galho e da fração material reprodutivo/miscelânea, que foi a seguinte: Ca > N > Mg > K > S > P.

Conteúdo

A quantidade dos nutrientes transferidos ao solo via deposição de serapilheira são muito variáveis entre as florestas tropicais e dependem das características funcionais de cada elemento no metabolismo das plantas, da presença ou ausência de mecanismos de conservação de nutrientes, das condições edafoclimáticas, das exigências nutricionais das espécies, da parte da planta considerada, da fenologia, da época do ano, da composição florística, do estádio sucessional e da metodologia empregada na avaliação (CUEVAS; MEDINA, 1986; GOLLEY et al., 1978; VITOUSEK; SANFORD, 1986).

Na Tabela 5 observa-se a transferência anual de macronutrientes e carbono orgânico pela queda da fração folhas/miscelâneas. O retorno total de macronutrientes via fração folhas/miscelâneas foi de 456,36 kg ha-1 ano-1. Já o conteúdo de carbono orgânico depositado via fração folhas/miscelâneas foi de 4.388,36 kg ha-1 ano-1, representando 88,41% do total depositado via serapilheira.

Para a fração folhas/miscelâneas, a ordem de transferência de macronutrientes foi: Ca > N > K > Mg > S > P. O conteúdo de nitrogênio na fração folhas/miscelâneas (158,24 kg ha-1 ano-1) foi bastante superior ao encontrado por Calvi et al. (2009) em Mata Atlântica para Floresta Secundária (33,59 kg ha-1 ano-1) e para Floresta Secundária Antiga (33,92 kg ha-1 ano-1) em Santa Maria do Jetibá, ES e, inferior ao encontrado por Cunha et al. (1993), em Floresta Estacional Decidual para Floresta Secundária (178,26 kg ha-1 ano-1) em Santa Maria, RS.

Para o fósforo o conteúdo na fração folhas/miscelâneas (8,25 kg ha-1 ano-1) apresentou-se superior ao encontrado por Calvi et al. (2009), em Mata Atlântica para Floresta Secundária (2,02 kg ha-1 ano-1) e para Floresta Secundária Antiga (1,99 kg ha-1 ano-1), e inferior ao encontrado por Cunha et al. (1993), em Floresta Estacional Decidual para Floresta Secundária (9,63 kg ha-1 ano-1).

Em relação ao conteúdo de potássio na fração folhas/miscelâneas (64,42 kg ha-1 ano-1) apresentou-se superior ao encontrado por Calvi et al. (2009), em Mata Atlântica para Floresta Secundária (6,41 kg ha-1 ano-1) e para Floresta Secundária Antiga (9,87 kg ha-1 ano-1), e ao encontrado por Cunha et al. (1993), em Floresta Estacional Decidual para Floresta Secundária (32,07 kg ha-1 ano-1).

Comparando-se o conteúdo de cálcio (187,32 kg ha-1 ano-1) e de magnésio (25,62 kg ha-1 ano-1) do presente estudo, o conteúdo de cálcio apresentou-se inferior (225,26 kg ha-1 ano-1) e o de magnésio foi semelhante (25,66 kg ha-1 ano-1), aos encontrados por Cunha et al. (1993), em Floresta Estacional Decidual para Floresta Secundária.

Na Tabela 5, observa-se a transferência anual de macronutrientes pela deposição da fração galhos. O retorno total de macronutrientes via fração galhos foi de 50,26 kg ha-1 ano-1 e o conteúdo de carbono orgânico depositado via fração galhos foi de 575,18 kg ha-1 ano-1, representando 11,59% do total depositado via serapilheira.

Tabela 5. Conteúdo médio de macronutrientes e carbono orgânico aportados via fração folhas/miscelâneas, galhos e total na Floresta Estacional Semidecidual Submontana, Cachoeiro de Itapemirim, ES.
Table 5. Average content of macronutrients and organic carbon addition by fraction leaves/miscellaneous, branches and total in the Submontane Seasonal Semideciduous Forest, Cachoeiro de Itapemirim, ES.
Mês/anoFolhas/miscelâneas
NPKCaMgSCorg.
kg ha-1 ano-1
Dez/0922,79A*1,06A 4,53B23,66C3,01C1,24C629,07B
Jan/1010,63C0,65B4,56B10,45D1,58E0,71D273,38D
Fev/1011,27C0,59B5,43B13,41D1,83E0,87D265,06D
Mar/1015,71B0,73B3,55B13,65D1,53E1,00C344,21D
Abr/1010,44C0,51B2,23C10,08D1,37E0,80D265,63D
Mai/104,66D0,22C1,51C4,98E0,70F0,34E117,84E
Jun/106,45D0,32C2,84C6,73E1,11F0,51E157,65E
Jul/103,81D0,21C1,74C4,50E0,68F0,32E105,19E
Ago/109,08C0,49B5,19B11,33D1,69E0,82D255,26D
Set/1021,82A1,15A14,35A29,99B4,50B2,11A712,69A
Out/1023,92A1,21A13,65A38,58A5,50A2,27A777,04A
Nov/1017,58B1,05A4,79B19,90C2,07D1,44B485,29C
Total158,24 (34,7)**8,25 (1,8)64,42 (14,1)187,32 (41,1)25,62 (5,6)12,49 (2,7)4.388,36
Mês/anoGalhos
NPKCaMgSCorg.
kg ha-1 ano-1
Dez/092,66A*0,13A0,61A4,99A0,34A0,16A113,74A
Jan/102,79A0,12A0,57A5,71A0,28A0,16A100,36A
Fev/100,75B0,03B0,20B1,73B0,09B0,06B30,44B
Mar/101,74A0,07B0,29B3,80A0,23A0,15A75,18A
Abr/100,58B0,02B0,09B1,31B0,08B0,05B27,51B
Mai/100,23B0,01B0,03B0,60B0,02B0,01B10,27B
Jun/100,27B0,01B0,04B0,56B0,03B0,02B10,77B
Jul/100,10B0,00B0,01B0,21B0,01B0,00B4,40B
Ago/100,53B0,02B0,10B1,29B0,06B0,04B22,82B
Set/102,25A0,12A0,86A4,96A0,26A0,19A92,38A
Out/101,06B0,04B0,21B2,31B0,14B0,08B41,72B
Nov/100,97B0,04B0,16B2,04B0,12B0,09B45,53B
Total 14,00 [27,9]**0,65 [1,3]3,24 [6,4]29,58 [58,9]1,70 [3,4]1,06 [2,1]575,18
Mês/anoTotal
NPKCaMgSCorg.
kg ha-1 ano-1
Dez/0925,46A*1,20A5,15B28,65B3,36C1,41B742,82A
Jan/1013,43C0,77B5,14B16,17D1,87D0,88C373,74C
Fev/1012,03C0,62B5,64B15,15D1,93D0,94C295,50D
Mar/1017,45B0,81B3,85B17,45D1,76D1,15C419,39C
Abr/1011,03C0,53B2,32C11,39E1,46D0,85C293,14D
Mai/104,90D0,23C1,55C5,59E0,73E0,36D128,12E
Jun/106,73D0,33C2,89C7,30E1,14E0,53D168,42E
Jul/103,92D0,22C1,76C4,72E0,69E0,33D109,60E
Ago/109,61C0,51B5,29B12,62D1,76D0,86C278,08D
Set/1024,08A1,28A15,22A34,96A4,77B2,31A805,08A
Out/1024,99A1,26A13,87A40,90A5,64A2,35A818,76A
Nov/1018,56B1,10A4,95B21,95C2,19D1,53B530,83B
Total172,24 {34,0}**8,91 {1,8}67,66 {13,3}216,91 {42,8}27,33 {5,4}13,55 {2,7}4.963,54
*Médias seguidas por uma mesma letra na coluna não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste de Scott-Knott para cada fração e para o total. **Valores entre parênteses representam a porcentagem em relação ao conteúdo total de macronutrientes aportados via fração folhas/miscelâneas. **Valores entre colchetes representam a porcentagem em relação ao conteúdo total de macronutrientes aportados via fração galhos. **Valores entre chaves representam a porcentagem em relação ao conteúdo total de macronutrientes aportados via serapilheira.

Para a fração galhos, a ordem de transferência de macronutrientes foi: Ca > N > K > Mg > S > P. Observa-se a mesma ordem de transferência dos macronutrientes na fração folhas/miscelâneas e na fração galhos. Para o conteúdo de nitrogênio na fração galhos (14,00 kg ha-1 ano-1), verifica-se valor superior ao encontrado por Calvi et al. (2009) em Mata Atlântica para Floresta Secundária (4,59 kg ha-1 ano-1), e para Floresta Secundária Antiga (6,24 kg ha-1 ano-1), em Santa Maria do Jetibá, ES e, inferior ao encontrado por Cunha et al. (1993) em Floresta Estacional Decidual para Floresta Secundária (28,42 kg ha-1 ano-1) em Santa Maria, RS.

Em relação ao fósforo o conteúdo na fração galhos (0,65 kg ha-1 ano-1), apresentou-se superior ao encontrado por Calvi et al. (2009), em Mata Atlântica para Floresta Secundária (0,37 kg ha-1 ano-1) e para Floresta Secundária Antiga (0,40 kg ha-1 ano-1) e inferior ao encontrado por Cunha et al. (1993) em Floresta Estacional Decidual para Floresta Secundária (1,57 kg ha-1 ano-1).

No tocante ao conteúdo de potássio na fração galhos (3,24 kg ha-1 ano-1) apresentou-se superior ao encontrado por Calvi et al. (2009), em Mata Atlântica para Floresta Secundária (0,94 kg ha-1 ano-1) e para Floresta Secundária Antiga (0,94 kg ha-1 ano-1) e inferior ao encontrado por Cunha et al. (1993) em Floresta Estacional Decidual para Floresta Secundária (5,68 kg ha-1 ano-1).

Analisando-se o conteúdo de cálcio (29,58 kg ha-1 ano-1) e de magnésio (1,70 kg ha-1 ano-1) do presente estudo, observa-se que os valores foram inferiores aos encontrados por Cunha et al. (1993) (43,89 kg ha-1 ano-1 e 4,18 kg ha-1 ano-1 de cálcio e de magnésio, respectivamente) em Floresta Estacional Decidual para Floresta Secundária.

Na Tabela 5, observa-se a transferência anual de macronutrientes pela queda de serapilheira, sendo a mesma de 506,62 kg ha-1 ano-1. A ordem de transferência de macronutrientes via serapilheira foi respectivamente: Ca > N > K > Mg > S > P , semelhante à apresentada pela fração folhas/miscelâneas e pela fração galhos.

A transferência de macronutrientes via serapilheira apresentou um padrão de deposição semelhante ao padrão de produção da serapilheira total. As maiores quantidades anuais de nutrientes foram depositadas no final da estação seca e de menores temperaturas e, as menores quantidades foram depositadas no início da estação seca e de menores temperaturas, como se pode verificar na Tabela 5. De acordo com a Tabela 6, verifica-se que os valores encontrados para os conteúdos de macronutrientes aportados via serapilheira corroboram aos encontrados em outros trabalhos.

Tabela 6. Conteúdo de macronutrientes aportados via serapilheira em algumas tipologias florestais.
Table 6. Content of macronutrients addition by litter in some forest types.
Tipologia FlorestalNPKCaMgRef.
kg.ha-1.ano-1
Floresta Estacional Semidecidual172,248,9167,66216,9127,33Este estudo
Floresta Estacional Semidecidual217,7611,5552,79199,8038,80Vital et al., 2004
Floresta Estacional Semidecidual(10 anos)165,55,450,188,929,1Toledo et al., 2002
(50 anos)218,95,867,4107,737,6
Floresta Estacional Semidecidual(Floresta Inicial)137,094,5216,5889,3720,85Pinto et al., 2009
(Floresta Madura)179,797,8745,49179,2826,19
Floresta Estacional Decidual206,6811,2037,75269,1529,84Cunha et al., 2003
Mata AtlânticaFloresta Secundária38,182,397,35--Calvi et al., 2009
Floresta Secundária Antiga40,162,3910,81--
Floresta Tropical Úmida-8,6128,7239,722,2Golley et al.,1978
Floresta Baixo Montana Úmida-2,690,697,732,9


CONCLUSÕES

A deposição de serapilheira total mostrou-se sazonal, com as maiores produções ocorrendo ao final de estação seca.

A floresta estudada produziu durante doze meses um total de 9,3 Mg ha-1 de serapilheira, consistindo a fração de maior deposição a Folhas/Miscelâneas, que representou 89,0% da deposição total.

O teor de nutrientes na serapilheira depositada apresentou variação temporal (entre os meses do ano) e espacial (entre as parcelas analisadas).

O padrão sazonal de aporte de nutrientes ao solo foi determinado principalmente pelo padrão de deposição de fitomassa de Folhas/Miscelâneas.

O Ca e o P foram respectivamente os macronutrientes encontrados em maior e menor teor e conteúdo em todas as frações do estudo. O retorno total de macronutrientes via serapilheira foi de 506,62 kg ha-1 ano-1.


AGRADECIMENTOS

Aos proprietários da Reserva Cafundó, em especial ao Luiz Soares Nascimento. Ao chefe do Centro Serrano do INCAPER, José Mauro de Sousa Balbino e ao responsável pelo Laboratório de Análises de Solos e Plantas do INCAPER, Luiz Carlos Prezotti, pela concessão das análises de tecido vegetal e solo. Aos amigos que pude fazer no laboratório, João, Carlos, Alvim e Ézio, suas ajudas foram essenciais para a realização desse trabalho. A Fíbria S/A e a CAPES pela concessão de bolsas.


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