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Edição 24 – 31 de março de 2011_ |
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Conceito inovador de Pegadas Hídricas foi discutido em
Seminário do PROMAB Contando
com a participação de mais de 60 pessoas, o PROMAB (Programa de Monitoramento e
Modelagem de Bacias Hidrográficas) realizou nos dias 24 e 25 do corrente
o Simpósio “Pegadas Hídricas no Manejo Florestal”, no anfiteatro do
Departamento de Ciências Florestais da Esalq/USP. O cálculo da pegada
hídrica de produtos industrializados vem sendo gradativamente adotado por
várias empresas no mundo, inclusive no Brasil. Segundo o Prof. Mario
Mendiondo (EESC/USP), que proferiu a palestra sobre conceituação de pegadas
hídricas e é também membro da Water Footprint Network, a pegada
hídrica individual média global é de 1250 m³ por ano. Ele mostrou também
algumas estimativas da pegada hídrica no setor florestal, em termos da
quantidade de litros de água necessária para a produção de uma folha de papel
A4. Em regiões de baixa disponibilidade hídrica, por exemplo em áreas de
Caatinga, esta estimativa está em torno de 10 litros de água por folha A4,
enquanto que em áreas úmidas, como na Floresta Amazônica, está em torno de 42
litros por folha A4. Mas estes números não devem ser confundidos como sendo
uma medida da severidade do impacto ambiental resultante do consumo de água.
O impacto depende da maior ou menor vulnerabilidade da região, que envolve a
interação do consumo de água, com o regime de chuvas e com a hidrologia do
solo, assim como com as demandas de água já estabelecidas.
O
cálculo da pegada hídrica é feito ao longo de toda a cadeia produtiva,
envolvendo pegada hídrica indireta, que é a água embutida na matéria prima, e
pegada hídrica direta, que é a água usada na produção propriamente dita.
Constitui, desta forma, um indicador compreensivo do uso da água pela
produção florestal. Neste sentido, há a pegada hídrica da água verde, que se
refere justamente ao consumo de água da chuva que é normalmente absorvida
pelas árvores no processo de transpiração. E há a pegada hídrica da água
azul, que se refere ao consumo da água superficial, retirada dos rios e dos
corpos de água para um determinado uso. Evidentemente
o cálculo da pegada hídrica no setor florestal é ainda incipiente, mas
deverá, sem dúvida, ser incrementado, com o objetivo de promover
estratégias de redução da pegada hídrica ao longo de toda a cadeia
produtiva. Um aspecto importante, como mostra os valores da pegada hídrica
para a produção de uma folha de papel A4 acima, é que uma determinada pegada
hídrica não é a mesma para diferentes situações. Por exemplo, levando em
conta apenas o processo da produção florestal, a pegada hídrica é calculada
pela relação entre a madeira produzida e a evapotranspiração. E conforme
mostrou o Prof. Stape (North Carolina State University), na segunda palestra
do seminário, em áreas com maior déficit hídrico o manejo florestal gasta
mais água para produzir menor quantidade de madeira. Ou seja, em regiões de
déficit hídrico a plantação florestal não produz madeira e causa maior
impacto sobre a água disponível. O
seminário mostrou que o conceito da pegada hídrica guarda muita relação com o
foco do PROMAB, que não se restringe à quantificação estática do consumo de
água por plantações florestais, mas sim à quantificação do balanço hídrico na
escala de microbacias. Ou seja, o foco principal é a avaliação do consumo de
água relativamente à disponibilidade natural de água, na escala de
microbacias. Em outras palavras, o que se busca avaliar é o equilíbrio entre
o consumo de água e a vazão ou deflúvio. Em analogia ao conceito de pegada
hídrica, o PROMAB se preocupa tanto com à quantificação da água verde, que
alimenta a produção florestal, quanto com a água azul, que é a água
superficial que alimenta a vazão do riacho. Por outro lado, as alterações da
qualidade da água, decorrentes de práticas não sustentáveis de manejo, que
não levam em conta as diferentes escalas da sustentabilidade hidrológica,
como foi mostrado na palestra do Prof. Silvio Ferraz (Esalq/USP), podem
causar impactos a jusante, que vai resultar em aumento no custo de tratamento
de água, que é referido como água cinza na terminologia da pegada hídrica. E
a avaliação deste aspecto faz, também, parte dos objetivos do PROMAB, no que
diz respeito ao monitoramento da qualidade da água nas microbacias, não com o
objetivo de produzir uma série histórica de valores de parâmetros de
qualidade da água, em relação a critérios pré-estabelecidos, mas sim o de
acompanhar a dinâmica do ecossistema aquático em relação às práticas de
manejo, que deve mesmo ser o objetivo do monitoramento da qualidade da água,
conforme explicou a Profa. Maria do Carmo Calijuri (EESC/USP), em sua
palestra. O
Laboratório de Hidrologia Florestal do Departamento de Ciências Florestais
considera a pegada hídrica como tema importante e atual de suas linhas de
pesquisa, que começa a se intensificar a partir da realização do seminário. |
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