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Silvicultura Urbana - O Desenho Florestal da Cidade
Prof. Demóstenes Ferreira da Silva Filho
Professor Assistente do Departamento de Ciências Florestais da ESALQ/USP
E-mail: dfsilva@esalq.usp.br
Atualizado em 01/04/2003
Introdução e Definições
Desde a antiguidade a árvore, como imagem mítica,
foi utilizada como símbolo do crescimento espiritual do ser humano.
Existe entre o ser humano e as árvores uma afinidade estrutural
psíquica, intimamente associada ao crescimento e realização
de potenciais. A árvore adulta já está contida na
semente. O ser humano também carrega em estado germinal, no fundo
do inconsciente, aquilo que poderá vir a ser (MILANO & DALCIN,
2000).
As cidades, hoje, já abrigam mais ou menos a metade
da população do planeta e, em vários países,
entre os quais o Brasil, mais de 80% da população (IBGE,
2002).
Tanto por este motivo, a concentração populacional,
quanto pela forma como surgem, crescem e são organizadas, as cidades
tornam-se também, de maneira geral, os extremos da ação
humana nos sistemas naturais (MILANO & DALCIN, 2000).
As florestas urbanas podem ser definidas como a soma de
toda a vegetação lenhosa que circunda e envolve os aglomerados
urbanos desde pequenas comunidades rurais até grandes regiões
metropolitanas (MILLER, 1997).
As florestas urbanas são ecossistemas compostos
pela interação entre sistemas naturais e sistemas antropogênicos
(NOWAK et al 2001).
As árvores de ruas, praças, parques, áreas
de conservação urbanas e demais áreas livres de edificação,
fazem parte de um ramo da Silvicultura que se chama Silvicultura Urbana.
O objetivo da Silvicultura Urbana é o cultivo e
o manejo de árvores para a contribuição atual e potencial
ao bem estar fisiológico, social e econômico da sociedade
urbana (COUTO, 1994).
As árvores em vias públicas e demais áreas
livres de edificação são constituintes da floresta
urbana, atuam sobre o conforto humano no ambiente, por meio das características
naturais da vegetação arbórea, proporcionando sombra
para pedestres e veículos, redução da poluição
sonora, melhoria da qualidade do ar, redução da amplitude
térmica, abrigo para pássaros e harmonia estética
amenizando a diferença entre a escala humana e outros componentes
arquitetônicos como prédios, muros e grandes avenidas.
Segundo MILANO & DALCIN (2000), existem aspectos positivos
das árvores nas cidades os quais podem ser mensurados, avaliados
e monitorados, caracterizando benefícios e, conseqüentemente,
objetivos que passam a ser estabelecidos no planejamento:
- estabilização e melhoria microclimática;
- redução da poluição atmosférica;
- diminuição da poluição sonora;
- melhoria estética das cidades;
- ação sobre a saúde humana;
- benefícios sociais, econômicos e políticos.
Pode-se citar também a absorção da
radiação ultravioleta, dióxido de carbono e a redução
do impacto da água de chuva e seu escorrimento superficial.
O objetivo desse texto é apresentar a Silvicultura
Urbana como ferramenta e meio de atuação profissional do
Engenheiro Florestal, na obtenção da melhoria da qualidade
de vida nas cidades, através do estudo dos espaços livres
urbanos e avaliação do seu potencial para serem planejados
como integrantes da floresta urbana.
O Desenvolvimento Urbano e as Áreas Verdes
Segundo MACEDO (1995) o espaço livre de edificação,
como elemento de projeto é praticamente desconhecido pelos profissionais
e pela população, que o vêem como um espaço
residual a ser ajardinado ou simplesmente deixado de lado.
MILANO & DALCIN (2000) citam o surgimento da luz elétrica
e a expansão da oferta dos serviços de abastecimento de água,
coleta de esgoto e telecomunicações, trazendo para as cidades
como o Rio de Janeiro, um complexo sistema de cabos, galerias e dutos que
tomam conta do ar e do subsolo. A rede aérea de energia passou a
interferir de forma decisiva no plano de arborização da cidade.
Na seqüência, com o advento da era “desenvolvimentista”
e da explosão imobiliária na década de 60 houve a
perda dos jardins privados e a impermeabilização do solo
e o patrimônio das áreas verdes das cidades ficaram cada vez
mais restritos à arborização de ruas, praças,
parques e maciços florestais.
Pode-se acrescentar ainda a compactação
e baixa fertilidade do solo resultantes dos processos de movimentação
de terra para urbanização de loteamentos. De maneira semelhante,
o processo de evolução da ocupação e uso do
solo urbano, especificado no parágrafo anterior, ocorreu na grande
maioria das cidades brasileiras.
Segundo MACEDO (1995), parece então urgente uma
revisão no ideário sobre espaços livres de edificação
e ações são fundamentais:
- A afirmação e o aceite da existência formal de um
sistema urbano de espaços livres de edificação, que
deve abarcar todos os espaços livres existentes, sejam eles espaços
para lazer, ou circulação, verdes ou azuis, plantados ou
não.
- O abandono da idéia do “alcance” de medidas de metros
quadrados por habitante como uma panacéia (incansável) aos
problemas urbanos de carência de áreas de lazer e conservação
de recursos ambientais, esquecendo-se definitivamente o malfadado índice
de 12 m2/ habitante de área verde.
- O estabelecimento de critérios de distribuição de
espaços livres públicos, que deve ser delimitado de acordo
com carências sociais, acessibilidade e manutenção
de recursos ambientais finitos, como água e florestas nativas e
de proteção de solos frágeis.
- O estabelecimento prévio ao crescimento urbano, as expansões
das cidades de áreas prioritárias à construção
e/ou efetivação de espaços livres, isto é,
a criação e manutenção de estoques/reservas
de futuros espaços livres públicos para lazer e conservação.
- A revisão dos padrões de distribuição dos
espaços livres intra-quadras, questionando-se os modelos oficiais,
e seus graus de eficiência redefinindo-se os limites desejáveis
(se desejáveis) de privatização do lazer.
- A idealização de quadras urbanas, especialmente aquelas
verticalizadas, são sistemas complexos, onde flui a vida humana
e cujos espaços livres devem ser tratados como sistemas que são,
não como espaços residuais.
- A revisão dos padrões de projeto dos espaços livres,
que são extremamente padronizados para o país, buscando-se
adequar cada um deles ao contexto do território nacional em que
estiver situado.
- O reconhecimento do papel da rua como espaço de lazer e uma conseqüente
revisão de seus padrões de desenho e projeto.
- A inclusão das praias e áreas de beira-água (rios,
lagos e represas) quando utilizados pela comunidade como participantes
efetivos dos sistemas de espaços livres de edificação
urbanos e/ou como áreas de reserva para lazer e ou conservação.
Áreas Verdes e Arborização Viária
Estudos sobre áreas verdes urbanas
Estudos recentes sobre espaços livres de edificação
foram promovidos procurando-se avaliar o uso dessas áreas pela população,
sua história, seus equipamentos, sua dinâmica, assim como
seu alcance para atender a comunidade local e bairros próximos (MACEDO,
1995), (ANGELIS & ANGELIS NETO, 2000), (PEGOLO & DEMATTÊ,
2002) e (MACEDO & SAKATA, 2002).
Segundo ANGELIS & ANGELIS NETO (2001), deve-se ter
uma visão macro da cidade de tal forma que o espaço livre,
a ser planejado ou avaliado, esteja inserido nesse contexto, propiciando
a continuidade de um sistema de espaços livres urbanos interligados
– parques, praças, hortos, reservas florestais, fundos de
vale, arborização de acompanhamento viário e outros.
Não se pode analisar um desses fatores sem se considerar a existência
dos demais e não cabe aqui determinar-se um número, uma vez
que os índices são contraditórios e dificultam mais
o trabalho que auxiliam.
Como exemplo, pode-se citar PEGOLO & DEMATTÊ
(2002) que encontraram diferenças relevantes na situação
das praças de Taquaritinga/SP e Jaboticabal/SP, cidades vizinhas,
mas com grandes diferenças na maneira com que a população
utiliza seus espaços livres ao longo da história. Como características
comuns observou-se que as praças não são mais usufruídas
como em tempos passados. Antigamente, eram o centro dos acontecimentos
políticos e das festividades religiosas, de atos cívicos
e sociais. Nos finais de semana, moradores das zonas urbana e rural dirigiam-se
às praças, pois ali havia diversão, o lazer de outras
épocas, os encontros, o início de muitas histórias
e o fim de outras tantas.
Segundo ANGELIS & ANGELIS NETO (2000), com o surgimento
de outras formas alternativas de lazer e novos locais para o estabelecimento
do comércio, associado ao descaso persistente do poder público
frente à manutenção das praças, essas passaram
a constituir-se em um fragmento a mais dentro da malha urbana.
Com o tempo as mudanças vieram e as praças
foram deixando de ser um espaço prioritário de recreação.
Atualmente, a maioria das pessoas tem outras necessidades e sente o mundo
ao seu redor de modo diferente. Isso não significa que os espaços
verdes urbanos precisem cair no esquecimento, pois são ecologicamente
importantes, possuem valores estéticos além de auxiliarem
na redução da amplitude térmica e novos usos podem
ser estendidos a eles, com equipamentos adequados. Instigando-se novas
formas de percepção do ambiente urbano, seria possível
ampliar as relações positivas da população
com a paisagem. O apreço pelos espaços verdes poderia ser
resgatado, mesmo que as pessoas não mais se utilizassem deles da
forma como faziam antes. Dois pontos não devem ser esquecidos: a
constante participação do Poder Público e a conscientização
(PEGOLO & DEMATTÊ, 2002).
Torna-se imperativo repensar o papel que os espaços
públicos têm nos dias de hoje. Nesse contexto toma vulto a
questão do desenho urbano, não sendo mais possível
planejar a cidade dissociada da questão social. E ao mencionar-se
o desenho urbano, refere-se, inclusive, às minúcias dos diversos
logradouros e, em se tratando das áreas livres de edificação
verdes e praças isso significa o estudo de seu mobiliário,
sua tipologia e sua inserção na malha urbana. O somatório
desse conhecimento propicia um diagnóstico preciso sobre esses espaços,
ao mesmo tempo em que fornece subsídio na busca de soluções
para se fazer frente aos problemas sociais ocorrentes nesses logradouros
e na cidade como um todo (ANGELIS & ANGELIS NETO, 2000).
Para MACEDO & SAKATA (2002), os parques urbanos brasileiros
são figuras que acompanham a formação das cidades
e as transformações da sociedade brasileira e suas formas
de expressão. Ao longo dos séculos XIX e XX, os parques passaram
de espaços onde a elite passeava vestida à européia
contemplando a natureza recriada e confabulando com seus pares para espaços
democráticos onde todos podem correr, brincar e divertir-se, onde
os recursos naturais são preservados, onde as cidades brasileiras,
cada vez mais densas, respiram aliviadas. Os parques do passado e os do
presente são unidos por uma característica comum: sua importância
como símbolos de nossa capacidade de criar, implantar e manter figuras
urbanas tão valiosas e tão frágeis sob a ação
do tempo.
Entre os parques urbanos mais emblemáticos pode-se
destacar o Parque do Ibirapuera e o Parque do Aterro do Flamengo.
As inaugurações desses dois parques em 1954
(Ibirapuera) e 1962 (Flamengo), apesar do caráter isolado, marcam
a ruptura definitiva com a estrutura do velho desenho romântico de
paisagismo, ainda bastante em voga na época. O Aterro do Flamengo,
projetado por Afonso Reidy, Burle Marx e equipe, possui desenho com inovações
que buscam e conseguem dar uma adequação aos usos cotidianos
da metrópole do Rio de Janeiro, então em processo de acelerada
modificação urbana, foi planejado para conter e envolver
a nova via expressa que ligava a zona sul (Copacabana, em especial) ao
centro da cidade, o Aterro do Flamengo é um grande Parque linear
unindo vários aterros antigos na orla, é uma obra que comporta
toda uma série de jogos, museus, marina e até uma praia artificial,
elementos que foram rapidamente assimilados pela população,
utilizados noite e dia, Figura 01. O Parque do Ibirapuera, cujo desenho
florestal urbano é de concepção de Otávio Augusto
Teixeira Mendes, era uma área alagadiça, foi estruturado
no meio de um bosque de eucaliptos, com uma série de pavilhões
de exposição que, na época de sua inauguração,
atraiam um grande público para as festividades em curso. Esse parque
possuía um programa de uso que atendia ao lazer cultural (museus
e exposições), esportivo (quadras, tanques para modelismo
de barcos) e contemplativo, Figura 02 (MACEDO & SAKATA, 2002).

Figura 01. Marina localizada no Aterro do Flamengo, envolvida de
espaços verdes. Crédito: QUAPÄ.
O Parque do Ibirapuera pela sua localização,
ao lado de áreas habitadas pelas elites – os bairros Jardim
América e Jardim Paulista -, o significado simbólico que
lhe foi atribuído, sua centralidade e acesso transformaram-no em
principal parque da cidade, capaz de atrair milhares de usuários
todos os dias, tanto para caminhar e correr como para o descanso, os shows
ao ar livre e as exposições (MACEDO E SAKATA, 2003).
A vegetação arbórea pode ser entendida
como um mobiliário urbano, um equipamento essencial para o bom funcionamento
dos espaços livres de edificação.
A tipologia é uma forma de analisar o espaço
livre de edificação e pressupõe o conhecimento de
sua identidade, estrutura e significação e a imaginabilidade
definida como sendo a qualidade do objeto físico que lhe confere
uma grande probabilidade de suscitar uma imagem vigorosa em qualquer observador,
a estrutura é a conformadora da imagem através da relação
espacial entre o espaço livre e seu entorno, integrando ambos em
um conjunto único e, por fim, a significação que é
um atributo de valor simbólico para o observador, transformando
o espaço livre, o parque, a praça, a rua ou a árvore
em um espaço reconhecível e representativo para os habitantes
da cidade (ANGELIS & ANGELIS NETO, 2000).

Figura 02. Parque do Ibirapuera, foto aérea mostrando trecho
do parque, áreas verdes livres
e prédios e entorno dominado por bairro de alto padrão, extraído
de (PMSP, 2003)
Inventário da arborização viária
Muitas análises, da vegetação arbórea
viária, em municípios foram efetuadas a partir de inventários
por amostragem devido ao grande número de indivíduos arbóreos
presentes, o tamanho das cidades e a necessidade de contenção
de custos, como mostram os trabalhos de BIONDI (1985); MILANO (1985); GRAZIANO
et al (1987); MILANO et al (1987); (MARTINS et al 1992); LIMA (1993); SANTOS
(1997); (MICHI & COUTO, 1996) e (COSTA & HIGUCHI, 1999).
Para planejar a arborização de Penápolis,
SP; PAIVA et al (1997) optaram por inventariar 895.000 m2 da área
central da cidade.
Todos os trabalhos possuíam como variável
principal a quantidade de árvores por distância de calçada,
caracterizando a densidade da arborização nas vias públicas.
Esta variável é essencial já que é a maior
necessidade em se tratando de vias públicas, no atual contexto da
arborização brasileira.
TAKAHASHI (1992) elaborou banco de dados para o cadastro
total das árvores de Maringá/PR e salientou sua importância
para o manejo da arborização urbana.
Através de um cadastro pode-se vislumbrar alternativas
de manejo especificas, observando-se uma unidade de manejo semelhante ao
talhão da silvicultura tradicional, esta unidade pode ser o bairro
ou no caso de grandes avenidas, a própria avenida.
Técnicas de Avaliação de Áreas
Florestais Urbanas
Sensoriamento remoto
Recentemente foram elaborados muitos trabalhos, principalmente
norte-americanos, utilizando sensoriamento remoto e ou sistemas de informação
geográfica para o inventário e manejo de áreas verdes.
A grande vantagem dessas tecnologias é obter dados visuais e poder
relacionar os mais variados dados espaciais, de diferentes gêneros,
com dados alfanuméricos, obtendo respostas integradas para problemas
urbanos e rurais, de maneira rápida e econômica, proporcionando
uma experiência de conhecimento holístico sobre as áreas
avaliadas, Figura 03.

Figura 03. Bairro Vila Resende , Piracicaba – SP, pode-se
ver na imagem o espectro
infravermelho próximo destacando as áreas constituintes da
floresta urbana.
Crédito: Laboratório
de Métodos Quantitativos – LCF/ESALQ/USP.
A videografia aérea é uma técnica
de sensoriamento remoto que vem sendo utilizada nos EUA para avaliação,
detecção de problemas na agricultura, agricultura de precisão
e no manejo de áreas naturais (POMPERMAYER NETO, 2002).
Para a Silvicultura Urbana esse sistema nunca foi utilizado
no Brasil, constituindo-se um grande potencial de pesquisa na avaliação
de florestas urbanas apresentando-se como alternativa econômica para
avaliação de áreas extensas.
O mesmo autor apresentou revisão sobre videografia
descrevendo o início dos primeiros testes nas décadas de
sessenta e setenta e os principais avanços obtidos na década
de oitenta com os primeiros estudos envolvendo câmeras de vídeo
com sensibilidade para captar a faixa do espectro eletromagnético
referente ao infravermelho próximo (0,7 até 1,1 nm).
Nos últimos anos segundo El Hakim, citado por POMPERMAYER
NETO (2002), a utilização de sistemas de imagens de vídeo,
ou videografia, para a avaliação dos recursos naturais tem
aumentado devido ao desenvolvimento de novas tecnologias aplicadas às
câmeras como o CCD (“Charge Coupled Device”) em substituição
ao sistema de tubo, que proporciona, maior resolução espacial
e compatibilidade com sistemas digitais.
WATZLAWICK et al (2001) apresentou metodologia para utilização
de câmaras de vídeo em mapeamento florestal. O método
consistiu da utilização de câmaras de vídeo
convencionais e filtros espectrais (verde, vermelho e infravermelho próximo)
como sensor não convencional. Como resultados, salientou a importância
da obtenção das imagens quase que em tempo real, custos operacionais
baixos, praticidade e operacionalidade do sistema bem como a agilidade
de obtenção das imagens. Como aspectos negativos salientou
a baixa resolução das câmaras e a sobreposição
de filtros apresentando como solução a utilização
de câmaras S-VHS e filtros espectrais dos mais diversos comprimentos
de onda.
Sistemas de informação geográfica
Para MARTINS, (1994), segundo autores da área,
o “Geoprocessamento pode ser definido como o conjunto de tecnologias
de coleta e tratamento de informações espaciais e de desenvolvimento,
e uso, de sistemas que as utilizam. As áreas que se servem das tecnologias
de Geoprocessamento têm, em comum, o interesse por entes de expressão
espacial, sua localização, ou distribuição
espacial de seus atributos”.
Em URBAN FORESTRY DATABASE LIBRARY (2002) encontrou-se
vinte e cinco trabalhos sobre geoprocessamento em Silvicultura Urbana,
salientando a necessidade do uso ferramenta para o manejo e avaliação
das áreas verdes e árvores urbanas.
Segundo GODFREY (2001), existem muitas vantagens em cadastrar
os dados das árvores urbanas em banco de dados georreferenciados
e poder consultá-los em programa de geoprocessamento, entre as muitas
vantagens cita:
- o mapeamento das áreas e árvores permite consultas visuais
rápidas;
- é mais fácil encontrar a localização de uma
árvore quando ela está representada em um mapa para indicar
sua localização;
- os dados da população arbórea podem ser consultados
e representados no mapa e qualquer relacionamento entre árvores
e outras informações podem ser consultados e visualizados
ao mesmo tempo. Por exemplo, pode-se “perguntar”, por meio
de uma consulta, quais as árvores apresentam podridão no
tronco e estão localizadas em calçadas com menos de dois
metros de largura e imediatamente o programa de geoprocessamento mostrará
o resultado da consulta destacando, com uma cor, todos os pontos da cidade
onde existe tal situação.
MARTINS (1994), FREIRE et al (1994), ADAM et al (2001)
e CÂMARA & MONTEIRO (2000) descreveram a utilização
da geoinformação para inventário de espécies
arbóreas e outras finalidades ambientais para as cidades de Belo
Horizonte/MG, Recife/PE, Florianópolis/SC e São Sebastião/SP,
respectivamente, Figura 04.
ADAM et al (2001) ressaltam que o custo de implantação
de um sistema de gerenciamento e controle informatizado é imensamente
menor que o custo futuro de modificação dos espaços
públicos devido à falta de planejamento. Entendeu-se também
que mesmo realizando-se um grande trabalho de campo, com cadastro da vegetação
das praças e áreas públicas e os resultados dispostos
em tabelas em papel guardadas em arquivos de armário, estes resultados,
em alguns anos estariam obsoletos e poucos saberiam como estão as
espécies vegetais e o real estado de conservação das
praças, pois a atualização e manipulação
destes arquivos seria difícil e demorada, justificando a implantação
da geoinformação.

Figura 04. Sistema de Informações Geográficas
do Município
de São Sebastião, (CÂMARA & MONTEIRO, 2000).
MARTINS (1994) ressalta que o mapeamento digital de toda
a área urbana de Belo Horizonte/MG foi implementada com base em
fotografias aéreas, obtidas através de vôo programado.
Essas informações foram separadas em diversos níveis
(limites das regionais e bairros, logradouros, quadras, rede de água,
esgoto, elétrica, curvas de nível, etc). Neste mapeamento
foram localizadas todas as árvores dos logradouros públicos,
assim como as áreas verdes, praças e parques. Assim para
qualquer árvore do mapeamento poderá ser retornada a ficha
contendo os dados do seu cadastro instantaneamente. Além disso,
várias manipulações estarão disponíveis
como o cruzamento dos mais variados tipos de dados (árvores e rede
elétrica, rede de água e de esgoto, curvas de nível
ou declividade, etc) a cada árvore mapeada será associado
o cadastro feito e vice-versa.
Na Silvicultura Urbana existem trabalhos de levantamento
utilizando sensoriamento remoto e sistemas de informação
geográfica para o inventário de áreas verdes públicas
e particulares, arborização viária e diagnósticos
de ilhas de calor em áreas densamente ocupadas como demonstram os
trabalhos de (MILLER, 1997), (GODFREY, 2001), (SACAMANO et al 1995) e (LO
et al 1997). Esse último fez vôos noturnos para caracterizar
as ilhas de calor na cidade de Huntsville no estado do Alabama, Estados
Unidos, utilizando imagens de infravermelho térmico de alta definição.
Considerações Finais
Segundo SANTOS (1996), a valorização das
árvores urbanas será tanto maior quanto mais reconhecida
sua importância enfatizando que o desafio futuro de quem trabalha
com árvores de cidades reside na busca constante do conhecimento
que leve a compreensão de todas as implicações relativas
à presença da árvore no ecossistema urbano e em como
avaliar seus benefícios tangíveis intangíveis.
Esses aspectos transformam a profissão do Engenheiro
Florestal, trazendo oportunidades multidisciplinares novas em campo profissional
ainda pouco explorado. Pode-se imaginar que, em futuro próximo,
as administrações públicas municipais poderão
possuir, dentro de seu corpo técnico, silvicultores urbanos especializados
na gestão ambiental urbana, utilizando como instrumento uma percepção
holística do desenho florestal urbano que poderá surgir desde
a compreensão do sentimento pela paisagem, a topofilia, até
a pratica na utilização de sistemas de informação
espaciais e sensoriamento remoto para avaliar e planejar o uso do ecossistema
florestal urbano.
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